Esporte brasileiro movimenta R$ 183,4 bilhões e amplia debate no Congresso Nacional
Audiência reuniu representantes do setor para discutir economia, empregos, investimentos e políticas públicas

O esporte brasileiro movimenta aproximadamente R$ 183,4 bilhões por ano, valor equivalente a 1,69% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, e passou a ser debatido no Congresso Nacional como setor estratégico para o desenvolvimento econômico. Uma audiência pública da Comissão do Esporte reuniu representantes do governo federal, do Comitê Olímpico do Brasil (COB), confederações, dirigentes e especialistas nesta semana para discutir a participação da indústria esportiva na geração de empregos, no fortalecimento de empresas e na criação de políticas públicas.
O encontro teve como foco o papel do esporte na economia e os impactos de investimentos em diferentes áreas da cadeia produtiva. Entre os participantes estavam o secretário da Secretaria Nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, Giovanni Rocco Neto; a presidente do Instituto Sou do Esporte, Fabiana Bentes; o gerente de Relações Institucionais do COB, Matheus Bacelo de Figueiredo; e representantes de entidades ligadas ao setor.
Vanessa Pires, CEO da Brada, destacou a importância da discussão sobre políticas públicas e incentivos para o desenvolvimento do esporte. “Ver esse tema ganhar espaço no Congresso é importante porque amplia a discussão sobre políticas públicas e incentivos que fortalecem todo o ecossistema esportivo. Ao mesmo tempo, percebemos que as empresas também evoluíram, há a busca não apenas por visibilidade, mas por projetos com propósito, que gerem impacto real e criem uma conexão autêntica com as pessoas”, afirmou.
A participação das Leis de Incentivo ao Esporte também foi abordada durante o debate. Para Leila Neto, diretora da CRIAPE, empresa especializada na elaboração, gestão e execução de projetos esportivos por meio do mecanismo, o reconhecimento do setor amplia oportunidades de investimento. “Esse reconhecimento fortalece políticas públicas e incentiva novos investimentos em projetos que transformam a realidade de milhares de pessoas. Na prática, vemos que iniciativas viabilizadas por meio das Leis de Incentivo conseguem levar oportunidades para regiões que, muitas vezes, não teriam acesso a atividades esportivas, culturais e educacionais”, disse.
Segundo relatório do Instituto Sou do Esporte, com metodologia de cálculo da EY – Ernst & Young, o PIB do Esporte alcançou R$ 183,4 bilhões em 2025. O levantamento apontou ainda que os clubes esportivos brasileiros adicionaram R$ 8,081 bilhões ao PIB nacional em 2023, representando 4,41% do valor analisado e crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.
O estudo também indicou que a contribuição dos clubes pode ser ainda maior, já que atividades como museus, centros culturais, escolas esportivas e outras ações relacionadas não foram incluídas na metodologia utilizada.
Paulo Maciel, presidente do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), afirmou que os dados mostram a participação dos clubes no desenvolvimento do esporte nacional. “Os clubes são motores do desenvolvimento esportivo e têm papel econômico central no ecossistema do esporte brasileiro. A cifra de R$ 8 bilhões é expressiva, mas certamente é apenas uma parte do que eles representam. Temos que avançar na qualificação e registro das atividades, para que o impacto do nosso segmento seja refletido com ainda mais precisão”, declarou.
O impacto da infraestrutura esportiva também esteve entre os temas discutidos. Sergio Schildt, presidente da Recoma, empresa do setor há 47 anos, afirmou que a análise econômica precisa considerar diferentes etapas da atividade esportiva. “O reconhecimento do esporte como um setor estratégico para a economia é um avanço importante. Quando se discute o impacto da indústria esportiva, é preciso olhar para toda a sua cadeia, desde a formação de atletas até a infraestrutura que permite a prática esportiva acontecer. Espaços bem planejados e investimentos estruturantes ampliam o acesso ao esporte, impulsionam o desenvolvimento regional, geram empregos e criam as condições para que esse mercado continue crescendo de forma sustentável”, afirmou.
O segmento de apostas esportivas também foi citado durante a audiência, principalmente pela participação em patrocínios no futebol brasileiro e pelos impactos econômicos gerados pelo setor. Daniel Fortune, especialista em conteúdo digital sobre o tema, destacou a necessidade de avanços na regulamentação. “O setor de bets é responsável por investimentos significativos em áreas como o esporte e o futebol. Além disso, também apresenta enorme potencial para impulsionar a economia do país, tendo em vista também os repasses em impostos e a geração de empregos”, analisou.
Moises Assayag, especialista em finanças no esporte, afirmou que os números alteraram a percepção sobre o papel econômico da atividade esportiva. “Os números mostram que o esporte deixou de ocupar um papel periférico na economia brasileira. Quando um setor movimenta mais de R$180 bilhões por ano e representa uma parcela crescentemente relevante do PIB, com o componente adicional de envolver praticamente todo o país, ele precisa ser tratado como um mercado estratégico”, declarou.
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