
Restando pouco mais de sete horas para a bola rolar contra os Estados Unidos, a Federação Belga segue em busca de explicações da Fifa sobre a suspensão do cartão vermelho aplicado a Folarin Balogun, atacante dos Estados Unidos, adversário da equipe nas oitavas.
Nesta segunda-feira (6), os belgas publicaram uma nota reforçando que foi enviada uma carta à entidade máxima do futebol solicitando uma cópia da decisão, uma explicação do processo adotado e expondo seu posicionamento em relação aos regulamentos aplicáveis.
“Como única resposta, a FIFA enviou uma carta à RBFA afirmando que considerava a correspondência como uma apelação, que um juiz havia sido designado e que a RBFA tinha apenas algumas horas para concluir a apelação. Nenhuma informação foi fornecida pela FIFA”, diz trecho da nota.
Mesmo sem a decisão, a entidade recebeu o direito à apelação do caso, porém, corre o risco do recurso não ser julgado antes das 21h (de Brasília), horário da partida, permitindo assim que o jogador americano pudesse ter condições de jogo.
“Enquanto a RBFA buscava apenas esclarecimentos legítimos, a própria FIFA criou uma apelação e imediatamente garantiu que ela fosse declarada inadmissível.Tudo isso ocorreu enquanto a FIFA se recusava a responder às solicitações legítimas da RBFA”, contestou.
“Independentemente do resultado esportivo desta partida, a RBFA está profundamente preocupada com o rumo dos acontecimentos e continuará lutando nas próximas horas, dias e meses em defesa dos princípios fundamentais da ética, da competição justa e dos interesses do futebol como um todo', completou.
UEFA se posiciona: “decisão tão inédita, incompreensível e injustificável”
Também em nota, a Uefa se pronunciou sobre o caso. Segundo a entidade, a decisão de suspender o vermelho dado a Balogun, “ultrapassou todos os limites”.
“O futebol, como qualquer outro esporte, se baseia em regras que são a base para uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras são passíveis de interpretação. Neste caso, não. A suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser aplicada”, destacou.
O órgão reforça ainda que quando as regras deixam de ser garantidas pelos responsáveis, “a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada”.
Por fim, a Uefa expressou incredulidade com a decisão da Fifa. “Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão inédita, incompreensível e injustificável”, escreveu.
A expulsão
Autor de três gols na competição, Balogum é um dos principais nomes da Seleção americana neste Mundial. O atacante havia sido expulso na vitória sobre a Bósnia, na segunda fase, pelo brasileiro Raphael Claus, com a ajuda do VAR.
Após a partida, o Comitê Disciplinar da Fifa analisou a jogada e optou por retirar a punição do atacante, liberando-o para encarar a Bélgica. “Por força do Artigo 27 do FDC, a implementação da suspensão automática de jogos para o jogador dos EUA Folarin Balogun é suspensa por um período probatório de um (1) ano”, diz trecho da nota oficial da Fifa.
Em entrevista, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a atitude do árbitro brasileiro em expulsar o atacante "era um pouco suspeita", e ainda confirmou que conversou com Gianni Infantino, presidente da Fifa, sobre o caso. Porém, negou ter interferido na decisão do Comitê Disciplinar.
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