Fifa mantém proposta de empresa para gerir competições e promete ampliar consultas
Entidade afirma que processo seguirá de forma "aberta e democrática", apesar da oposição de confederações e da renúncia de assessor de Gianni Infantino

A Fifa informou nesta sexta-feira (31) que dará continuidade ao processo de consulta sobre a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), empresa que ficaria responsável pela gestão comercial e pela organização das competições da entidade. Em comunicado, a entidade afirmou que a discussão seguirá de forma "aberta e democrática" e atribuiu parte da repercussão negativa do projeto à divulgação de "notícias incorretas na imprensa".
Segundo a Fifa, a intenção é garantir que as 211 associações filiadas tenham acesso às informações antes da votação da proposta. O projeto prevê a criação de uma empresa avaliada em cerca de US$ 20 bilhões, da qual seriam comercializados aproximadamente US$ 4,2 bilhões em ações para investidores privados, enquanto a entidade manteria o controle majoritário.
A iniciativa enfrenta resistência de entidades do futebol internacional. A Uefa anunciou que suas 55 federações não disputarão competições organizadas pela Fifa enquanto o projeto permanecer em discussão. A posição também recebeu apoio da Concacaf e da Confederação Asiática de Futebol (AFC), que manifestaram preocupação com os impactos da proposta sobre a estrutura do futebol mundial.
Em nota, a AFC afirmou compartilhar das preocupações apresentadas por outras confederações e avaliou que a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo deve servir de alerta para a comunidade do futebol. A entidade reúne atualmente 47 associações nacionais, entre elas Austrália, China, Japão e Arábia Saudita.
O debate também provocou mudanças na estrutura da própria Fifa. Carlos Cordeiro, ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e um dos principais conselheiros de Gianni Infantino, anunciou sua renúncia. Em publicação nas redes sociais, afirmou não ter participado da elaboração da proposta e classificou a iniciativa como prejudicial às associações filiadas, ao futebol e ao futuro da modalidade.
Além das manifestações das entidades esportivas, o projeto também recebeu críticas no meio político. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, afirmou que a Copa do Mundo não deve ser tratada como um ativo comercial e criticou a abertura para investidores privados. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump declarou que não foi consultado por Gianni Infantino sobre a proposta de criação da nova empresa.
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