Arthur

Lateral revelado pelo América vive melhor fase no Bayer e projeta vaga na Seleção

‘Quero representar o Brasil na Copa do Mundo’, disse Arthur

Angel Drumond
angel.lima@hojeemdia.com.br
Publicado em 02/03/2026 às 11:04.
 (www.bayer04.de)
(www.bayer04.de)

Aos 22 anos, o lateral-direito Arthur Augusto de Matos Soares, o Arthur, vive a temporada mais consistente da carreira no Bayer Leverkusen. Titular na equipe alemã em 2025/26, o jogador revelado pelo América superou uma lesão grave sofrida no fim de 2023, consolidou-se na lateral-direita e alcançou uma das maiores marcas de velocidade da atual edição da Liga dos Campeões, com 34,62 km/h.

Versátil, Arthur atua como lateral, ala e também pode desempenhar funções mais ofensivas pelas pontas. Desde a chegada à Alemanha, passou por um processo de evolução física e técnica, que o colocou entre os destaques defensivos do time comandado por Xabi Alonso na Bundesliga e nas competições continentais.

Com passagem pelas seleções de base e convocação para a principal em 2023, quando foi chamado por Ramon Menezes, o lateral mira agora um objetivo maior: integrar o grupo do Brasil na Copa do Mundo de 2026, sob o comando de Carlo Ancelotti. O sonho, segundo ele, permanece vivo e depende do desempenho que vem construindo no futebol europeu.

Em entrevista ao jornal Hoje em Dia, Arthur relembra o início no América, fala sobre a conquista do Sul-Americano Sub-20, detalha o trabalho no futebol alemão e projeta os próximos passos da carreira, incluindo a possibilidade de disputar o Mundial pela Seleção Brasileira.

Você sempre quis ser jogador de futebol? Como foi essa trajetória até conseguir um espaço no time principal do América?
Sim, meu sonho sempre foi ser jogador. Isso vem da minha família. Todos em casa gostam muito de futebol e, desde pequeno, me incentivaram a seguir esse desejo que havia em meu coração. Esse apoio que eles me deram foi fundamental para eu jamais desistir e conseguir dar meus primeiros passos no esporte. Comecei na base do América, passei por outras equipes tradicionais do futebol brasileiro, como o Flamengo, e até pela Seleção Brasileira de base e, aos poucos, fui conquistando meu espaço no time principal do Coelho.

Você sempre teve o apoio da sua família? Quem é o maior incentivador? E, no futebol, quais são suas referências?
Sim, minha família foi extremamente importante durante todo o processo e, até hoje, é minha base, minha fortaleza e meus maiores apoiadores. Meu pai, minha mãe e todos os meus familiares estiveram desde o início me dando bastante força. São pessoas pelas quais tenho imensa gratidão. Meu pai já jogou futebol, tem talento e sempre incentivou muito, me dando dicas para cuidar do corpo e da mente, dizendo para eu nunca me acomodar e continuar evoluindo um pouco a cada dia. Só consegui chegar até aqui por conta de tudo o que eles fizeram por mim.

Em 2021, com 18 anos, você fez um gol e deu uma assistência na vitória do América sobre o Cruzeiro, por 3 a 1, que garantiu ao Coelho o título do Mineiro Sub-20, algo que não acontecia havia 12 anos. O quanto aquele jogo foi marcante? Ele abriu portas para você?
Sem dúvidas, foi um momento muito emocionante e jamais esquecerei esse dia. Vencer a final contra um rival importante, como o Cruzeiro, fazendo um gol e dando uma assistência foi algo maravilhoso. Creio que esse foi um dia extremamente relevante para a minha carreira. Eu já vinha fazendo uma boa temporada, mas aquela atuação na final abriu mais portas, aumentou a minha confiança e mostrou ao clube que eu poderia contribuir também na equipe profissional, algo que aconteceu um pouco depois.

Já em 2023 veio o Sul-Americano e o título pelo Brasil. Como foi aquela competição para você? Participou praticamente de todos os jogos, deu assistências e chamou a atenção de muitos clubes, com certeza.
O Sul-Americano Sub-20 de 2023 foi marcante. Sou muito grato pela confiança que o professor Ramon Menezes demonstrou em mim. Pude participar ativamente daquela campanha, que terminou com o título do Brasil de forma invicta. Foi uma competição difícil, mas que me proporcionou muita bagagem e aprendizado. E, sim, depois daqueles jogos, comecei a receber muitas sondagens do exterior.

Por que escolheu o Bayer Leverkusen? Hoje, você avalia que a decisão foi certa?
O Bayer Leverkusen é um dos clubes mais tradicionais do mundo. Além disso, o nível do futebol europeu é muito alto, e trabalhar aqui na Alemanha é fundamental para que eu consiga evoluir dentro e fora das quatro linhas. Fui bem recebido desde o começo e sou muito feliz no Leverkusen. Logo no meu primeiro ano tive uma lesão grave, mas consegui me recuperar e pude participar da campanha histórica que terminou com três títulos, incluindo a Bundesliga, uma conquista até então inédita para o clube. Até hoje a gente recebe o carinho do torcedor por conta daquele troféu. Por esse e por tantos outros motivos, posso dizer que sim, a decisão que eu, minha família e meus empresários tomamos foi certeira.

Como foi trabalhar com Xabi Alonso naquela temporada em que o Leverkusen ganhou tudo? Como era o contato com ele no cotidiano?
Foi sensacional. Atingimos um nível técnico muito alto e conseguimos realizar atuações maravilhosas de maneira consistente, com sequência de vitórias e viradas improváveis. As coisas se encaixaram bem e nossos resultados foram muito bons. Jamais vou me esquecer da festa que houve na cidade. Sem dúvidas, tivemos momentos inesquecíveis. A torcida ficou enlouquecida.
Sobre o Xabi, o contato era ótimo. Antes mesmo de eu assinar com o clube, ele me ligou, passou tranquilidade e demonstrou confiança em mim. Isso foi muito bacana.

Lembro de jogar com ele no videogame e, de repente, ali estava sendo treinado por ele; isso era muito curioso e gratificante. Ele é um excelente treinador, nos ajudou muito, sempre dava feedbacks. Deixou sua marca no Leverkusen e tenho certeza de que construirá uma longa e vitoriosa carreira como treinador, assim como fez quando era atleta.

Em 2023 você foi chamado para a Seleção principal, mas depois teve uma lesão e não conseguiu a sequência que queria. E 2026 é ano de Copa: você ainda sonha com uma vaga no time do Ancelotti? Acredita que ainda é possível?
Em 2023 pude ser convocado para a Seleção Brasileira principal e foi algo mágico. Porém, logo que cheguei à Alemanha tive uma lesão grave. Infelizmente, fiquei cerca de sete a oito meses longe dos gramados, o que impossibilitou uma sequência de convocações. Porém, consegui me recuperar e hoje estou no auge da minha forma física. Tenho atuado em todos os jogos deste ano. Também é a minha temporada com mais minutos jogados e mais assistências.

E, claro, quero representar o Brasil na Copa do Mundo. É um sonho de menino que carrego comigo e espero estar presente na lista final para o Mundial. Venho trabalhando todos os dias em busca dessa oportunidade. Sei que, se eu fizer a minha parte no Leverkusen, posso ser notado pelo Ancelotti.

Pretende voltar um dia para o América, para o futebol mineiro? Quais são os próximos planos da sua carreira?
Tenho um grande carinho pelo América e sou muito grato por tudo o que vivi no clube, mas, neste momento, não penso em voltar ao futebol brasileiro. Sou jovem, quero me desenvolver no futebol europeu e crescer por aqui. Entendo que há um grande nível de exigência nas principais ligas europeias, incluindo a Bundesliga, e meu objetivo é continuar evoluindo, conquistar títulos, atingir a minha melhor versão e atuar em alto desempenho por muito tempo. Quero fazer história no Leverkusen, na Europa, e conquistar, de vez, um espaço na Seleção Brasileira.

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