Cacá Bueno avalia início da F1 2026 após mudanças no regulamento e pausa no calendário
Campeonato teve etapas iniciais equilibradas, interrupção por conflito no Oriente Médio e novas exigências técnicas para equipes e pilotos

O início da temporada 2026 da Fórmula 1 tem sido marcado por mudanças no regulamento, equilíbrio entre equipes e uma pausa de cinco semanas no calendário após o cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, motivado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio.
Após testes realizados no Bahrein e em Barcelona e as corridas na Austrália, China e Japão, o campeonato entrou em um período de interrupção. O contexto, segundo o piloto Cacá Bueno, reforça a necessidade de adaptação das equipes diante de alterações técnicas.
“Sempre que há uma mudança grande de regulamento, há dificuldade de interpretação e discordâncias. O fã às vezes critica, dizendo que ‘estava legal e mudaram agora’, mas a Fórmula 1 vive desses ciclos para quebrar dominâncias”, afirmou, em entrevista para a Betfair.
O novo regulamento trouxe mudanças nos carros, que passaram a ser mais leves, ágeis e com maior participação elétrica. Segundo Bueno, a principal dificuldade atual está relacionada ao uso da potência da bateria ao longo das provas.
“Agora, a dificuldade é a utilização da potência da bateria pelo máximo de tempo possível. Quem melhor entendeu isso foi a Mercedes, produzindo o melhor powertrain da categoria, o que beneficia Mercedes, McLaren e Alpine”, disse.
O piloto também apontou diferenças na forma como as equipes interpretaram o regulamento. “A Ferrari está usando um turbo menor, conseguindo grandes retomadas de velocidade em circuitos travados. O carro larga muito rápido, então eles não dependem tanto da pole position para assumir a liderança. Já a Red Bull tem a melhor utilização de carga de bateria, mas pode sofrer mais em classificações”, explicou.
Segundo ele, esse cenário pode exigir maior desempenho individual dos pilotos. “Isso forçará Verstappen a mostrar talento recuperando posições, o que pode levá-lo ao erro por pressão”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a entrada da Audi na Fórmula 1. “É muito interessante ver uma marca tradicional entrar. Eles vêm da base da equipe Sauber, que já era tecnicamente desenvolvida. Surpreenderam positivamente”, comentou.
O brasileiro Gabriel Bortoleto, de 21 anos, foi citado como um dos destaques iniciais da temporada. “Acho que ele está mostrando uma competência enorme em administrar potência e pneus. Ele é reconhecido pela gestão de provas, mas agora está andando rápido também”, disse.
Bueno também comentou o desempenho de pilotos mais experientes no grid. “O que se pode perder é a vontade de se dedicar. Pilotar não é só botar o macacão; envolve análise de dados, desenvolvimento do carro e troca de ideias com a equipe”, afirmou.
Sobre o uso de tecnologias e estratégias eletrônicas nos novos carros, o piloto destacou que a avaliação varia conforme o desempenho das equipes. “A F1 é um campo de desenvolvimento. Quem reclama geralmente é quem não se adaptou bem ao carro”, disse.
Ele também mencionou exemplos recentes. “O Norris, por exemplo, não criticou até a McLaren ir mal na Austrália. O Hamilton elogiou o regulamento porque está andando perto do Leclerc. É tudo uma questão de perspectiva e desempenho”, concluiu.
Leia mais