Entrevista

‘O vôlei brasileiro é o mais forte em que já joguei’, diz polonesa Julia Nowicka

Atletas fala sobre a carreira, a adaptação ao Brasil e os desafios de mais uma temporada

Angel Drumond
angel.lima@hojeemdia.com.br
Publicado em 17/08/2026 às 08:48.
Levantadora polonesa do Minas vai para mais uma temporada no Brasil (Reprodução / Instagram)
Levantadora polonesa do Minas vai para mais uma temporada no Brasil (Reprodução / Instagram)

Aos 27 anos, Julia Nowicka já acumula experiências em diferentes escolas do voleibol europeu. Nascida em Czestochowa, na Polônia, a levantadora iniciou a carreira nas categorias de base do SMS PZPS Szczyrk e passou por clubes tradicionais do país natal. 

Em 2021, mudou-se para a Alemanha, onde defendeu o Stuttgart e conquistou o Campeonato Alemão, a Copa da Alemanha e a Copa CEV na mesma temporada. De volta à Polônia, Nowicka continuou a colecionar títulos e ganhou destaque individual. Entre as conquistas estão três edições da Copa da Polônia e duas Supercopas do país. 

Em 2024, foi eleita a MVP da final da Copa da Polônia. Pela seleção, integrou a equipe que conquistou a medalha de bronze na Liga das Nações de 2023. A temporada 2025/26 marcou uma mudança importante na carreira da jogadora, que deixou o voleibol europeu para defender o Minas e disputar pela primeira vez a Superliga. 

Em Belo Horizonte, encontrou um novo ambiente, um estilo de jogo diferente e uma rotina distante daquela que conhecia na Europa. Em seu primeiro ano pelo clube, também esteve nas conquistas do Campeonato Mineiro e da Copa Brasília. Com mais uma temporada pela frente, a levantadora polonesa agora inicia um novo capítulo no Minas, com a experiência de quem já conhece o clube, a cidade e o voleibol brasileiro. 

Em entrevista ao Hoje em Dia, Julia Nowicka falou sobre a trajetória que a trouxe ao Brasil, as diferenças que encontrou entre os países onde jogou, a adaptação a Belo Horizonte, a relação com as companheiras e os planos para a sequência da carreira.

Você chegou ao Minas na temporada passada e rapidamente conquistou espaço no time. O que mudou na sua forma de jogar e na sua rotina desde a chegada ao Brasil?

Eu não diria que meu estilo mudou, mas, com certeza, evoluiu. Isso aconteceu especialmente pelo fato de eu usar mais a mão esquerda e trabalhar diferentes tipos de bola com as centrais.

Na primeira temporada pelo Minas, você conquistou títulos e recebeu reconhecimentos individuais. Qual foi o momento mais marcante do seu primeiro ano em Belo Horizonte?

Jogar minha primeira temporada na Superliga é algo muito marcante, e vou me lembrar disso para sempre. Se eu tivesse que escolher um momento, diria que foi a última partida contra o Osasco, pelas semifinais. 

Acho que foi um dos jogos mais difíceis que já disputei. Lembro-me de estar extremamente focada no aspecto mental e de ter me sentido muito bem naquela partida. Pessoalmente, estou muito feliz por permanecer nesta temporada, pois estou muito mais preparada mentalmente para entender como as pessoas e o vôlei funcionam aqui.

Você já passou por Polônia, Alemanha e agora Brasil. O que mais chamou sua atenção nas diferenças entre o voleibol desses países, dentro e fora de quadra?

Sem dúvida, o vôlei brasileiro é o mais forte em que já joguei, especialmente no que diz respeito à potência física das atletas. Na liga alemã, especificamente na minha equipe, tínhamos muitas jogadoras de várias partes do mundo. 

Foi uma experiência enriquecedora, mas também desafiadora, já que cada uma tinha um estilo de jogo diferente. A liga polonesa também contou com ótimas jogadoras ao longo dos anos. No meu time, especificamente, o foco era maior no jogo e na técnica do que na força ou no aspecto físico.

Você foi campeã alemã pelo Stuttgart, conquistou títulos na Polônia e também ganhou uma medalha de bronze com a seleção na Liga das Nações de 2023. Qual dessas conquistas teve um significado especial na sua carreira?

Acho que o momento mais significativo até agora foi conquistar a Copa da Polônia e receber o prêmio de melhor jogadora da liga. Foi um momento em que passei a acreditar mais em mim mesma e a entender que, mesmo sendo levantadora, posso assumir mais responsabilidades.

Como levantadora, você precisa conhecer muito bem as características das atacantes. Como foi construir essa sintonia com as jogadoras do Minas na sua primeira temporada?

Havia um técnico novo, e algumas jogadoras estavam muito acostumadas ao sistema de jogo anterior. Acho que todas tivemos muita paciência para encontrar nosso ritmo e entender de que tipo de bola cada jogadora precisava.

Depois de uma temporada no Brasil, você já se sente em casa em Belo Horizonte. O que você incorporou da cultura mineira e o que ainda gostaria de conhecer ou experimentar por aqui?

Sinto-me muito bem no Brasil e em Belo Horizonte. Adoro a comida, as pessoas e o clima daqui. Há algo neste lugar que me traz muita paz ao coração e à mente.

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