
Os clubes não admitem a prática abertamente, mas todos sabem que ela é recorrente e já virou rotina no Campeonato Brasileiro. Na rodada anterior à apresentação dos jogadores à Seleção Brasileira, os convocados que estão pendurados com dois amarelos forçam o terceiro para cumprir suspensão e voltar “zerados” para a sequência da competição.
Na última rodada do nacional, a realidade não foi diferente. Na véspera de se apresentarem ao técnico Mano Menezes para os amistosos contra África do Sul e China, nos dias 7 e 10, respectivamente, o zagueiro Réver, do Atlético, o meia Lucas, do São Paulo, e o atacante Leandro Damião, do Internacional, adotaram a prática.
“O objetivo era tomar esse cartão mesmo, porque chegaria sem cartão na volta da Seleção”, observa o capitão do Galo.
O camisa 5 não enfrenta o Bahia, nesta quarta-feira, em Salvador, e o Palmeiras, domingo, no Independência. O zagueiro deve retornar ao Atlético diante do São Paulo, no dia 12, novamente em Belo Horizonte.
A prática é legal, e não há punição prevista no Código Brasileiro de Justiça Desportiva. Membro da Comissão de Direito Desportivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG), o advogado Antônio Sérgio Figueiredo ressalta essa legalidade. “Não é imoral nem ilegal. A lei prevê isso. Todo mundo sabe que a intenção do jogador é essa, mas não existe uma maneira de comprovar que a intenção é explicitamente esta”, destaca.
Na Liga Europa do ano passado, o atacante brasileiro Nilmar e o espanhol Santi Cazorla, que defendiam o Villarreal, foram multados em 20 mil euros (cerca de R$ 51 mil) por forçarem o terceiro cartão amarelo na partida de ida contra o Twente, da Holanda, válida pelas quartas de final. Punição que parece longe de acontecer no Brasil.