
No dia em que se comemora a Independência do Brasil, a torcida presente no Estádio do Morumbi, em São Paulo, teve poucos motivos para celebrar a data. Nesta sexta-feira (7), a Seleção Brasileira mostrou um futebol pouco criativo e desorganizado diante da África do Sul. O único gol da partida saiu dos pés de Hulk, em um lance de empolgação e raro talento técnico, já na segunda etapa. A pouca qualidade do time verde e amarelo deixou Mano Menezes ainda mais pressionado. O treinador foi alvo de vaias e pedidos de sua saída do comando da equipe canarinho.
Perdidos em campo
Primeiro tempo insosso. Essa foi a tônica dos 45 minutos iniciais do embate entre Brasil e África do Sul. Com pouca criatividade e toques de lado excessivos, a partida foi a exemplificação de um jogo chato, sem grandes emoções. Faltou atitude por parte do time canarinho. Os “Bafana-bafana”, por sua vez, mostraram certa organização logo na estreia de seu treinador, Gordon Igesund. Porém, os africanos deixaram uma evidente qualidade técnica inferior ao selecionado brasileiro.
O time de Mano Menezes até que entrou com uma proposta ofensiva. Com Lucas e Oscar recebendo o auxílio de Ramires no apoio aos atacantes Neymar e Leandro Damião, a esperança era de que a equipe não mantivesse a postura estática de outros jogos. Houve até tentativas de movimentação entre os meias, mas a produtividade era limitada, o que deixava o setor ofensivo isolado e preso na marcação adversária.
A criatividade do time canarinho não aparecia. Quem começou assustando foi o time sul-africano, aos 11 minutos, quando Gaxa tabelou pela extrema-direita, avançou sem oposição, mas esbarrou em Diego Alves, que conseguiu fechar o ângulo do adversário. O primeiro lance de perigo criado pelo Brasil só ocorreu aos 33 minutos, após chute forte de fora da área de Rômulo, que parou no goleiro dos “Bafana-bafanas”. Aos 42, a oportunidade foi mais clara, quando Neymar recebeu cruzamento livre na área adversária. Porém, o atacante parou em Khune, que estava bem posicionado.
Ao final do primeiro tempo, Mano Menezes desceu aos vestiários sob os gritos de “Adeus, Mano”, provenientes das arquibancadas do Morumbi. O comandante vem escalando o Brasil da forma como o público gosta: para frente, aproveitando ao máximo os bons jogadores que dispõe no elenco. Porém, por falta de organização e tempo para construir um padrão tático, o técnico sofre com uma equipe instável, que apresenta dificuldades para ultrapassar seus adversários.
Enfim, gol
A falta de organização, que foi a tônica do primeiro tempo, ficou explícita na segunda etapa. Jogadores com grande qualidade técnica, como Neymar e Oscar, assistiam um fim não tão animador de suas boas jogadas individuais. A zaga, por sua vez, mostrava uma versão caricata do que já apresentou em outros gramados.
O início da etapa derradeira foi assustador para os brasileiros que assistiam ao duelo entre as seleções. Os “Bafana-bafanas”, nos primeiros dez minutos, partiram para cima da equipe de Mano Menezes e chegaram com perigo em três oportunidades, o que trazia interrogações sobre o futuro do time canarinho.
Com um meio-campo mal distribuído, o Brasil começou a assustar somente a partir do momento em que Oscar, Lucas e Neymar voltavam para marcar a saída de bola adversária. Ao recuperarem a pelota, os atletas passaram a criar boas oportunidades. Assim, a Seleção tomou as rédeas da partida. Porém, as finalizações não eram precisas, o que irritava os torcedores presentes no Morumbi.
Quando o duelo caminhava para um empate amargo para os brasileiros, saiu o primeiro zero do placar. Aos 29 minutos, David Luiz recebeu a bola livre na ponta esquerda da área. O zagueiro, que curtia uma de atacante, chutou com força, no canto cruzado de Khuane, ,mas o arqueiro salvou a África do Sul parcialmente. No rebote, Hulk se antecipou ao marcador, dominou a bola e chutou com violência, para, enfim, balançar a rede. 1 a 0.

Hulk marcou o único gol do duelo (Foto: EDU SARAIVA-FRAME-AE)
Nos minutos seguintes, o Brasil tocou mais a bola e jogou de forma mais inteligente, porém sem deixar de tomar sustos do adversário. Antes da partida, Mano Menezes queria um belo futebol de seus comandados, mas o que se viu em campo foi um série de problemas que assustou aqueles que apreciam a camisa verde e amarela.
FICHA TÉCNICA
BRASIL 1 X 0 ÁFRICA DO SUL