‘Temos que preparar jogadores acostumados a vencer’, diz técnico do Sub-20 do Cruzeiro
Técnico do Sub-20 do Cruzeiro analisa conquista da Copinha 2026, fala sobre formação de atletas e detalha integração com o time principal

A conquista invicta da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026 colocou o nome de Mairon César em evidência nacional. À frente da equipe Sub-20 do Cruzeiro, o treinador liderou uma campanha com 100% de aproveitamento, consolidando um início de trabalho marcado por resultados e integração entre as categorias da Toca da Raposa.
Anunciado em novembro de 2025 para comandar os “Crias da Toca”, Mairon chegou ao clube após trajetória nas categorias de base do América, onde atuou como auxiliar e, posteriormente, técnico do Sub-20. No rival, acumulou 134 jogos, conquistou o Campeonato Mineiro Sub-20 de 2023 e foi vice-campeão da Copinha no mesmo ano. Formado em Educação Física pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com pós-graduação em futebol, possui licença da CBF e construiu perfil voltado à formação de atletas.
No Cruzeiro, reencontrou o diretor da base, Fred Cascardo, e assumiu a missão de fortalecer o processo de transição ao profissional. Sob sua gestão, a equipe registrou números expressivos na Copinha, com campanha invicta e desempenho consistente. O treinador defende que a formação deve caminhar ao lado da competitividade, preparando atletas técnica, tática, física e mentalmente para o cenário do futebol principal.
Em entrevista ao Hoje em Dia, Mairon César detalha o processo de adaptação ao clube, explica os pilares do seu modelo de jogo, aborda o trabalho de integração com a comissão profissional e comenta o impacto do título na formação dos jovens atletas.
Você chegou ao Cruzeiro em novembro de 2025 e, poucos meses depois, conquistou a Copinha no seu primeiro trabalho pelo clube. Como foi o processo de adaptação à Toca da Raposa e o que considera determinante para esse início tão positivo?
O processo de adaptação foi bem rápido, devido à confiança do clube depositada no trabalho e à estrutura oferecida para preparar bem a equipe. Sobre o que foi determinante, acredito que tenha sido a junção de vários fatores. Entre eles, o fato de já conhecer o elenco por ter enfrentado esses atletas nos últimos dois anos. Outros pontos que contribuíram de forma contundente foram um bom planejamento relacionado à progressão de conteúdos técnicos, táticos e físicos, o tempo de treinamento, que considero ter sido ideal — sete semanas — para um campeonato de tiro curto, além do nível técnico dos jogadores.
A campanha na Copa São Paulo foi impecável, com nove vitórias em nove jogos. Que aspectos do trabalho diário e da construção do elenco explicam um desempenho tão consistente ao longo da competição?
O nível e o alto índice de trabalho dos jogadores e de todos que estavam envolvidos no processo de treinamento foram determinantes. Foram semanas de muita concentração e trabalho, sem interrupção. Os bons treinos, os jogos e a evolução durante a pré-temporada já indicavam a possibilidade de um bom desempenho na competição.
Você é apontado como um treinador com forte “DNA formador”. De que forma a conquista de um título tão relevante se concilia com o principal objetivo da base, que é preparar atletas para o futebol profissional?
Sabemos que o principal objetivo das categorias de base é formar. Entregar à equipe principal um jogador técnico, inteligente, com bom nível de entendimento tático, mental e psicologicamente forte, além de fisicamente pronto para performar bem nesse cenário. As vitórias e os títulos, na maioria das vezes, coroam esse processo de formação bem elaborado. Diante de um clube do tamanho do Cruzeiro, temos que preparar jogadores acostumados a vencer ou que, pelo menos, busquem a vitória a todo momento, em qualquer cenário. Isso também faz parte da formação.
Alguns jogadores do elenco campeão já começam a entrar no radar do time principal. Como é o trabalho de transição desses atletas e qual a importância do alinhamento entre a comissão do Sub-20 e o profissional?
O trabalho de transição é algo que vem sendo executado com muito cuidado. Entendo o tempo, o momento e o contexto dos jogadores, do clube e da equipe principal. Sendo assim, quanto mais integrado for esse trabalho, melhor será o processo, e quem ganha é o clube.
Pela sua trajetória acadêmica e pelas experiências anteriores na base, que pilares norteiam o seu modelo de jogo e a gestão de jovens em um clube da dimensão do Cruzeiro?
Os pilares que norteiam o meu modelo de jogo se assemelham à cultura e à filosofia do Cruzeiro: paixão pela bola, agressividade e intensidade ofensiva e defensiva, consistência tática e tolerância ao esforço. Esses aspectos, quando bem alinhados com coerência, trabalho e cuidado, favorecem o relacionamento e o nível de exigência com os jogadores.
O clube vive um momento de maior integração entre as categorias, e há expectativa de diálogo com a comissão do time principal, liderada por Tite. Já houve conversas ou troca de ideias com o treinador e como esse contato pode contribuir para o desenvolvimento dos atletas da base?
Já tive contato com o professor Tite e sua comissão. Apesar da intensidade do calendário, existe uma boa relação e integração entre os departamentos da equipe principal e das categorias de base, onde sempre se discutem diversos assuntos relacionados à transição de jogadores do Sub-20 para a equipe principal.
Leia mais


