entrevista

‘Todo o trabalho durante esses anos valeu a pena’, revela Pedro Buch

Nadador do Arezzo Minas vive temporada de recordes e medalhas e se prepara para representar o Brasil no Mundial de Piscina Curta de Pequim

Angel Drumond
angel.lima@hojeemdia.com.br
Publicado em 28/09/2026 às 07:00.
 (Reprodução: Instagram)
(Reprodução: Instagram)

Natural de Rio Negro, no Paraná, mas criado em Mafra, em Santa Catarina, Pedro Buch iniciou ainda jovem uma trajetória que transformaria a natação em profissão. Os primeiros treinos foram em uma academia de Gustavo Borges, em Mafra, antes de o nadador passar por São Bento, Curitibano e Flamengo. Em 2026, transferiu-se para o Arezzo Minas, em Belo Horizonte, para uma nova etapa da carreira.

Especialista nos 100m e 200m borboleta, Buch coleciona resultados importantes em sua primeira temporada no clube mineiro. No Troféu José Finkel, conquistou o ouro nos 100m borboleta, com 49s69, e nos 200m borboleta, com 1min51s18, além da prata nos 200m costas, com 1min50s97. O desempenho também rendeu o recorde do campeonato nos 100m borboleta e o recorde brasileiro em piscina curta nos 200m costas, prova em que alcançou índice para o Mundial.

As conquistas internacionais também fazem parte da ascensão do nadador. Em 2025, nos Jogos Mundiais Universitários, em Berlim, na Alemanha, Buch ganhou o bronze no revezamento 4x100m livre. Nesta temporada, subiu novamente ao pódio nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé, na Argentina, ao terminar em terceiro lugar nos 100m e 200m borboleta. A sequência de bons resultados culminou em sua primeira convocação para defender a Seleção Brasileira em um Campeonato Mundial absoluto.

Convocado para o Mundial de Piscina Curta de Pequim 2026, Pedro Buch conversa com o Hoje em Dia sobre os primeiros passos na modalidade, a decisão de transformar o esporte em profissão e as mudanças proporcionadas pela chegada ao Minas. O nadador também fala da importância das experiências internacionais, da confiança adquirida nos treinamentos, da emoção pela primeira convocação para um Mundial absoluto e das expectativas para enfrentar alguns dos principais nomes da natação mundial.

Pedro, você nasceu em Rio Negro, no Paraná, e começou sua trajetória na natação até chegar a clubes como o Flamengo e, agora, o Minas. Quando percebeu que a natação poderia deixar de ser apenas um esporte e se tornar uma profissão?

Eu comecei minha trajetória em Mafra, cidade onde vivi a vida inteira. Na verdade, só nasci em Rio Negro, que fica ao lado. Minha história na natação começou em uma academia do Gustavo Borges, em Mafra, em uma piscina de 20 metros. Depois, passei por diversos clubes, como São Bento, Curitibano e Flamengo, até chegar ao Minas.

Acho que passei a encarar a natação profissionalmente a partir de 2023, quando fui morar mais longe de casa e comecei a me sustentar por meio do esporte. Diria que foi naquele ano, aos 18 anos, que realmente assumi a natação como profissão.

Você é especialista nos 100m e 200m borboleta, provas que exigem muita técnica, força e resistência. O que passa pela sua cabeça durante uma prova e o que faz você gostar tanto desse estilo?

Sou especialista nas provas de borboleta, mas é durante os treinamentos que realmente me preocupo com a técnica e com a maneira como estou nadando, principalmente nas séries com educativos. Na competição, tento pensar o mínimo possível. Meu foco fica na estratégia da prova, em definir, por exemplo, se vou passar mais forte ou mais fraco.

Também procuro não fazer mudanças técnicas durante uma competição. A ideia é chegar duas ou três semanas antes já confiante naquilo que pretendo executar no dia da prova. Por isso, quando estou competindo, procuro me concentrar apenas na estratégia definida anteriormente.

Em 2025, você conquistou uma medalha de bronze nos Jogos Mundiais Universitários, em Berlim. O que aquela experiência internacional representou para você e o que mais marcou naquela competição?

Em meados de 2025, tive a felicidade de trazer uma medalha de bronze para o Brasil na Universíade. Qualquer experiência internacional é muito importante para um atleta, principalmente para nós, brasileiros, que estamos um pouco distantes das grandes potências da natação, como Estados Unidos, países da Europa e até a Austrália. Ter contato direto com atletas desse nível proporciona uma bagagem muito grande, tanto para as competições no Brasil quanto para outros desafios internacionais no futuro.

O que mais me marcou naquela competição foi fechar o revezamento que conquistou a medalha. Não sou especialista em crawl, mas consegui fazer um bom tempo e assegurar o bronze para o Brasil.

Em sua primeira temporada pelo Minas, você conquistou dois ouros e uma prata no Troféu José Finkel, bateu recorde de campeonato, recorde brasileiro em piscina curta e ainda garantiu índice para o Mundial. Como você explica uma temporada tão forte logo na chegada ao clube?

Este ano está sendo muito positivo para mim, tanto no Maria Lenk quanto no Finkel. Acredito que todos esses resultados e a temporada que venho fazendo têm muita relação com o trabalho desenvolvido pelo Minas.

No meu caso, especificamente, o programa de treinamento se encaixou muito bem. A atenção individual que os treinadores dedicam a cada atleta faz total diferença no resultado final. Eles têm uma visão muito diferente daquela que encontrei nos outros clubes pelos quais passei, justamente por procurarem entender o que funciona melhor para cada pessoa, em vez de aplicarem um modelo genérico a todos. Afinal, cada atleta responde de uma forma.

Se tivesse que apontar a principal mudança para mim, seria justamente esse trabalho individualizado.

Você também esteve nos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé e voltou para casa com duas medalhas de bronze. O que mudou na sua preparação e na sua confiança ao longo desta temporada?

Acredito que a confiança demonstrada nas competições, inclusive nesse Sul-Americano do qual acabamos de voltar, é construída nos treinamentos. É ali que você ganha segurança para chegar ao dia da prova e colher aquilo que plantou durante toda a temporada.

Se tivesse que destacar uma mudança, diria que os treinos passaram a me mostrar que eu poderia alcançar coisas maiores e, talvez, subir mais um degrau em relação ao nível em que estava.

Agora vem um dos momentos mais importantes da sua carreira: sua primeira convocação para um Mundial absoluto, em Pequim. Quando recebeu a notícia de que defenderia o Brasil, qual foi a primeira coisa que passou pela sua cabeça?

Com certeza, é um dos momentos mais importantes da minha carreira. Eu sonhava com isso havia alguns anos, e representar o Brasil em um Campeonato Mundial significa a realização de um desses sonhos.

Fiquei muito feliz porque senti que todo o trabalho realizado durante esses anos valeu a pena. Foram muitas renúncias ao longo da minha vida, entre elas morar longe da família. Por isso, essa convocação teve um significado muito grande para mim. Sou muito grato pela oportunidade.

Você vai disputar os 100m e 200m borboleta no Mundial. O que Pedro Buch espera encontrar em Pequim e o que pretende levar dessa experiência para os próximos anos da carreira?

Provavelmente vou disputar os 100m e 200m borboleta e, talvez, algumas outras provas ou revezamentos. Ainda não tenho essa definição. Competir com os melhores do mundo será uma experiência incrível e muito importante para a minha carreira.

Será a primeira vez que participarei de um campeonato desse nível. Quero absorver o máximo de aprendizado possível e, claro, chegar à competição na minha melhor versão, buscando apresentar a melhor performance.

Será uma felicidade enorme carregar a bandeira do Brasil na touca e o sobrenome da minha família. É algo com que sempre sonhei e que espero repetir por muitos anos. Estou muito ansioso por essa experiência.

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