
O mercado de games vive um momento peculiar. Enquanto grandes produtoras apostam em produções focadas em pay-to-win e itens consumíveis para engrossar o faturamento, estúdios independentes recorrem ao passado para desenvolver jogos excelentes em que o objetivo é apenas se divertir. ChainStaff é um exemplo desse segundo ponto de vista.
Lançado para Nintendo Switch em abril de 2026 (assim como PC, Xbox e PlayStation), ChainStaff é um daqueles jogos independentes que tentam construir toda a experiência em torno de uma única mecânica. No caso, a arma que dá nome ao game funciona ao mesmo tempo como lança, chicote, escudo, plataforma e gancho de movimentação, no melhor estilo Bionic Commando (clássico da Capcom nas gerações 8 e 16 Bits). A proposta pode soar exagerada em um primeiro momento, mas é justamente essa versatilidade que sustenta o ritmo do jogo desenvolvido pelo estúdio Mommy’s Best Games.
A estrutura segue o padrão dos jogos de ação 2D dos anos 1990, mas com elementos modernos de movimentação e progressão. O jogador controla um soldado infectado por um parasita alienígena durante uma invasão de criaturas mutantes conhecidas como “Star Spores”.
A narrativa não ocupa papel central, porém serve como justificativa para um sistema de escolhas que altera atributos e alguns desdobramentos da campanha. Em determinados momentos, é possível salvar soldados espalhados pelas fases ou sacrificá-los para ganhar melhorias. Recurso que remete à franquia Metal Slug, da SNK. O jogo usa essa decisão para modificar diálogos e parte da progressão, sem transformar a experiência em algo realmente narrativo.
O principal diferencial está na movimentação. O ChainStaff funciona como ferramenta de travessia e combate ao mesmo tempo. É possível arremessar a arma para alcançar plataformas, bloquear projéteis ou atacar inimigos em sequência. O jogo exige domínio rápido dessas possibilidades e recompensa quem aprende a combinar movimentos em velocidade. Em vários momentos, o combate parece menos importante do que o fluxo de deslocamento entre armadilhas e inimigos. Há influência clara de jogos “run and gun”, mas também de produções com foco em exploração lateral e backtracking.
A direção artística aposta em visual grotesco inspirado na ficção científica dos anos 1980, mas com um estilo que remete a jogos como Shadow of the Beast (que era considerado com um dos títulos mais difíceis do início dos anos 1990). Os cenários misturam estruturas industriais, criaturas mutantes e paletas carregadas de neon. Lembrou de Flashback (Delphine Software), não é? Em alguns momentos, a tela acumula tantos elementos que a leitura da ação fica comprometida, especialmente no Nintendo Switch em modo portátil. Ainda assim, o jogo mantém personalidade visual consistente e evita a estética pixel art mais comum entre produções independentes recentes. Mas jogar no console, esparramado no sofá é uma delícia.
A trilha sonora baseada em heavy metal e hard rock acompanha o ritmo agressivo da jogabilidade. As músicas ajudam a criar identidade própria, embora o volume de efeitos sonoros e explosões frequentemente se sobreponham às composições. Chefes gigantes e animações exageradas reforçam a sensação de excesso que o game tenta transmitir o tempo inteiro.
Trata-se de um excelente game, com preço sugerido de R$ 80 na loja da Nintendo, mas que despenca para irrisórios R$ 30, na edição para PC, via Steam. Vale cada centavo.