O FLAUTISTA DA BIG N

Como The Legend of Zelda: Ocarina of Time revolucionou a franquia da Nintendo

Lançado há quase 30 anos, vale a pena jogar novamente um dos melhores episódios de Zelda enquanto o remake não chega

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 15/06/2026 às 09:11.
 (Foto: Nintendo/Divulgação)
(Foto: Nintendo/Divulgação)

O salto tecnológico do Nintendo 64 diante do Super NES foi algo espetacular, em 1996, mesmo com o brilho ofuscado pelo novato PlayStation. Mas foi com N64 que a Nintendo pulou de cabeça no universo tridimensional e trouxe títulos como Mario 64 e GoldenEye 007, que são duas obras primas.

Mas sua consagração veio em novembro de 1998, The Legend of Zelda: Ocarina of Time. E depois do anúncio do remake, que o amigo conferiu aqui no HOJE EM DIA, bateu uma vontade danada de rememorar o game, que curiosamente foi um dos primeiros títulos 3D, em terceira pessoa, com mundo aberto. Todo mundo lembra de GTA 3 (2002), mas o elfo Link já dava seus pulos bem antes.

O quinto título da franquia trouxe um ar cinematográfico à trama. A Nintendo já tinha experimentado essa abordagem com Mario 64, já que o ganho de processamento e armazenamento dos cartuchos permitiram produções mais complexas, com rotações de cenário, animações e melhores efeitos de áudio.

Mas Ocarina of Time refinou essa proposta. A começar pela abertura espetacular, com Link montado a cavalo, atravessando os campos de Hyrule ao som de uma melodia melancólica. Era o primeiro contato do jogador com a trama, o que gerava uma conexão imediata com a história. Quando joguei o Zelda de N64 fiquei impressionado. Não foi em 1998, foi bem depois que adquiri o console. 

Claro que jogos tridimensionais tendem a "envelhecer" de forma acelerada. Os gráficos poligonais deixam de ser atraentes aos olhos com o tempo. Mas mesmo assim, o game era lindo. Extremamente refinado para sua época e ainda é um título agradável, quando entendemos aquele momento da indústria de jogos. 

Pela primeira vez, os jogadores podiam explorar livremente uma Hyrule construída em três dimensões. Atravessar a Floresta Kokiri, escalar a Montanha da Morte, visitar o Lago Hylia ou cavalgar pelos extensos campos centrais era uma experiência que transmitia uma sensação inédita de liberdade. Cada local possuía identidade própria, trilha sonora marcante e personagens que pareciam realmente habitar aquele universo.

Claro que o game respeitava a mecânica de evolução do personagem, com no excelente The Legend of Zelda: A Link to the Past (Super Nintendo) que exigia a obtenção de equipamentos para acessar diferentes pontos do mapa. Era possível fazer qualquer coisa, mas dificilmente venceria o desafio se não estivesse devidamente paramentado, com mergulhar e enfrentar inimigos mais poderosos.

E uma preocupação da Nintendo foi com a jogabilidade. O jogo explorava todos os recursos do joystick de três pontas. O jogador usava as setas, direcional analógico e o gatilho, além dos demais botões superiores e o quarteto da base. Cada um tinha uma função e tornava a aventura ainda mais divertida. 

O sistema de combate também representou uma revolução. O chamado "Z-Targeting", que permitia travar a mira nos inimigos, tornou-se referência para toda a indústria. Hoje parece algo comum, mas em 1998 aquela mecânica ajudou a resolver um dos maiores desafios dos jogos em terceira pessoa e foi copiada por inúmeras franquias nos anos seguintes. Era muito difícil e estressante tentar atingir uma flecha, por exemplo, num ambiente tridimensional com profundidade e elevações. A mira fixa ajudou demais.

Mas o que tornou Ocarina of Time inesquecível não foi apenas a tecnologia, mas a narrativa. A jornada de Link deixava de ser uma simples aventura de fantasia para se transformar em uma história sobre amadurecimento, responsabilidade e passagem do tempo. A transição entre a infância e a fase adulta do protagonista dava ao enredo um peso emocional raro para os padrões da época.

A música também desempenhava papel fundamental. Cada canção aprendida na ocarina não servia apenas como elemento de jogabilidade. As melodias ajudavam a construir memórias afetivas e volta e meia são reproduzidas em diferentes instrumentos pelos fãs. The Legend of Zelda: Ocarina of Time é um jogo maduro, sofisticado, que depois de quase 30 anos ainda é referência.

Curiosamente não é caro comprar um cartucho de Ocarina of Time, caso o amigo tenha um N64 funcionando em casa. A exemplares usados que partem de R$ 100. Unidades lacradas podem superar os R$ 1 mil. Há edições para GameCube, 3DS e Wii U, mas não são fáceis de encontrar e podem custar ainda mais caro.

Também é possível experimentar o game na emulação, em computadores, smartphones ou em mini consoles. Certamente a experiência não será tão imersiva, como no joystick original. Mas se o amigo não jogou até hoje, o melhor é esperar o remake para Switch 2, que promete gráficos espetaculares e uma jogablidade ajustada para o atual console da Nintendo.

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