TIRO, PORRADA E BOMBA

Hack and slash pode perder fôlego, mas nunca sai de moda

Gênero que se consolidou na geração PS2 ganha novo impulso com produções como Marvel's Wolverine

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 10/10/2026 às 14:08.Atualizado em 10/10/2026 às 14:09.
 (Foto: Sony/Divulgação)
(Foto: Sony/Divulgação)

A indústria em geral vive de ciclos. É na moda, no segmento automotivo e até no bélico. Na indústria de games, gêneros de jogos aparecem e somem a todo momento. Mas alguns são constantes, podem perder um pouco de expressão, mas depois voltam a ganhar protagonismo. Foi assim com jogos de luta, corrida, metroidvania, ação de plataforma, RTS e também com o hack and slash.

O gênero hack and slash ganhou espaço nos videogames com a evolução dos beat 'em ups dos fliperamas e consoles de 16 bits. A transição para os ambientes tridimensionais ampliou as possibilidades de combate, com combos aéreos, animações alucinantes e comandos que exigem precisão do jogador.

Na era do PlayStation 2, Devil May Cry e God of War ajudaram a estabelecer referências para os jogos de ação em terceira pessoa. A fórmula combinava confrontos sucessivos, armas variadas e sistemas de combate que recompensavam a execução de sequências de golpes.

Deu tão certo que várias franquias de plataforma se converteram ao formato, como Shinobi e Castlevania. Produções como Dante’s Inferno também surgiram desse interesse de entregar o máximo de pancadaria e vísceras por polegada de tela.

A evolução do gênero também passou por títulos como God of War III, Heavenly Sword, Bayonetta e NieR: Automata. Em 2009, X-Men Origins: Wolverine apostou em combates com violência explícita, explorando as garras de adamantium do personagem em uma proposta voltada à ação.

A franquia retorna ao centro das atenções com Marvel's Wolverine, produção da PlayStation que coloca o personagem em confrontos corpo a corpo. A proposta dialoga com uma tradição que privilegia a continuidade dos combates e a resposta imediata aos comandos, sem depender de sistemas extensos de gerenciamento.

O interesse pelo formato também aparece em jogos como Stellar Blade e Lost Soul Aside, que exploram combates técnicos em cenários tridimensionais. Esses títulos mantêm características associadas ao gênero, como esquivas, ataques encadeados e confrontos que exigem leitura dos movimentos dos adversários.

E, por serem franquias que demandam muito investimento em desenvolvimento, os jogos hack and slash dificilmente ganham protagonismo na indústria indie, que geralmente opera com investimentos mais modestos e equipes enxutas. Assim, é natural que haja um volume menor e mais espaçado de produções do gênero, concentradas nas mãos de grandes estúdios e publishers.

Mas o fato é que o reaquecimento do hack and slash segue a tendência cíclica da indústria: o gênero surge, tem seu auge, encolhe, reaparece e depois mantém um posicionamento estável. É assim com jogos de mundo aberto, battle royale, MOBAs e outros gêneros. Os únicos estilos que se mantêm mais estáveis são os de esportes, já que se baseiam em modalidades da vida real, assim como os de automobilismo.

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