
Jogos de esportes, por muitos anos, traziam inovações técnicas, gráficas e de jogabilidade como principais argumentos para convencer o jogador a comprar a edição atualizada. Com a massificação dos modos on-line, o jogo atual se tornou a garantia de estar diante da comunidade e jogar de forma ferrenha. Mas hoje os games de esportes são extremamente sofisticados, bonitos e fotorrealistas. E isso tem obrigado os desenvolvedores a criar novos recursos.
A EA Sports há muito tem oferecido novas experiências para buscar novos públicos além dos fifeiros cativos. Em FIFA 17, foi introduzido um modo carreira que mostrava a trajetória de Alex Hunter, um jovem da base do Manchester United.
Com o passar das edições, Hunter se tornou craque e guia o jogador no modo The Grounds de EA Sports FC 27. Esse modo é uma espécie de “GTA” do boleiro. O jogador perambula pela cidade atrás de outros jogadores e pode entrar em partidas de futsal, bater uma bolinha com NPCs e acumular pontos que podem ser gastos com tranqueiras cosméticas.
O jogador pode customizar seu personagem, comprar camisetas de times, inclusive de clubes brasileiros. A Nike predomina nos vestuários. Dá para comprar um Nike Air Jordan e outros artigos. E, claro, se os créditos acabarem, o jogador pode usar dinheiro de verdade para fazer “câmbio”.
É possível até trombar com Mbappé dando bobeira na rua (coisas de videogame) e pedir conselhos. Quem nunca?
Mas além do GTA do futebol, FC 27 conta com as antigas formas de jogo de sempre. Carreira, campeonatos off-line, partidas rápidas, modos on-line, Ultimate Team e tudo mais. O game aprimorou o modo realismo, que oferece uma cadência de jogo mais próxima do comportamento de um humano em campo.
Particularmente é um modo que eu gosto, pois elimina aquele aspecto super humano dos atletas. Mas vale lembrar que isso funciona bem para quem joga sozinho, criando seus campeonatos. Para jogar com amigos, o negócio é ser o mais rápido e buscar placares elásticos. O que vale é a zoeira.
A movimentação também está mais fluida. O tutorial que ensina a executar aquelas jogadinhas marotas, com efeitos, cavadas, aparece no primeiro contato com a bola. É bom para exibir para os colegas, mas na hora do vamo ver vale a máxima de Dadá Maravilha: “Não existe gol feio, feio é não fazer gol”.
Mamãe coruja
Algo que me incomoda em muitos jogos modernos é o excesso de assistências. O game oferece um recurso para medir o nível de habilidade do jogador. Ele é capaz de identificar qual é a dificuldade ideal. De certa forma, esse recurso mantém o jogador estimulado em jogar, mas não o desafia.
Trata-se de um sintoma dos jogos modernos em que a satisfação do jogador é mais importante que a conquista. Revelar caminhos, segurar na mão são recursos que auxiliam na sensação de sucesso, mas que não provocam, que não exigem um desenvolvimento do jogador.
Bola rolando
O jogador pode eliminar tudo isso e apenas bater suas peladinhas. Pessoalmente, adoro jogar com times de fora da bolha da Champions League. Aquele time miúdo da Irlanda, ou um clube asiático. Atletas com menos habilidades exigem mais do jogador (de carne e osso).
Mas com todos conteúdos e penduricalhos, FC 27 tem seu principal ativo na comunidade que joga online. Nos amigos que migram em massa de uma edição para a outra. Não é sobre o jogo, mas sobre quem está disponível para jogar.
Disponível para PC, PS5, PS4, Xbox Series, Xbox One, Switch e Switch 2, com preços entre R$ 300 e R$ 500.