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Liquidation resgata as antigas partidas de RTS que bombavam nos anos 1990

Produção ainda em desenvolvimento já pode ser conferida na Steam e segue legado deixado por StarCraft, Dune II e Warhammer

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 22/08/2026 às 15:29.Atualizado em 22/08/2026 às 15:30.
 (Foto: Microprose/Divulgação)
(Foto: Microprose/Divulgação)

Nada contra os RTS online, como Dota ou LoL. Mas sejamos francos: são jogos torturantes para quem não tem olhos de lince, internet rápida e uma máquina de alta performance. Sem isso, a partida começa perdida. Mas games de estratégia em tempo real (RTS) são uma delícia.

Eles fizeram muito sucesso nos anos 1990, quando o mouse do PC era um recurso exclusivo de jogabilidade e fazia desses games títulos exclusivos para computadores. Liquidation chega em um momento em que os jogos de estratégia em tempo real voltaram a ganhar espaço, mas sem ocupar a posição central que tiveram no mercado de PCs durante os anos 1990 e 2000.

Lançado em acesso antecipado em 4 de agosto de 2026, o game desenvolvido pela Divio e publicado pela MicroProse retoma uma fórmula que parecia ter ficado presa aos clássicos: construir uma base, administrar recursos, produzir unidades e controlar exércitos em tempo real.

O RTS nasceu da combinação entre os jogos de estratégia tradicionais e a ação simultânea. Em vez de cada jogador esperar sua vez para mover tropas, como ocorre em jogos de estratégia por turnos, tudo acontece ao mesmo tempo. O jogador precisa coletar recursos, expandir sua base e tomar decisões militares enquanto o adversário também está em movimento.

Os primórdios do gênero podem ser associados a títulos como Herzog Zwei, de 1989, e Dune II, de 1992. Mas foi a sequência de lançamentos ocorrida nos anos seguintes que estabeleceu a fórmula que se tornaria popular nos computadores. Warcraft: Orcs & Humans, Command & Conquer, Age of Empires e StarCraft transformaram o gerenciamento de recursos e a construção de exércitos em uma disputa de velocidade, conhecimento e capacidade de reação.

Liquidation bebe diretamente dessa fonte, especialmente da vertente popularizada por Warcraft III. A comparação aparece não apenas na visão isométrica e no controle de exércitos, mas também na presença de unidades especiais e heróis, capazes de evoluir e utilizar habilidades durante as batalhas. Ao mesmo tempo, o jogo apresenta facções assimétricas, com características e estilos próprios de construção e combate.

O universo do jogo mistura fantasia e ficção científica. A história se passa no planeta Veá, devastado por um evento chamado Splintering. Da destruição surge o Quenrium, substância de grande importância em um mundo marcado pela escassez de recursos. A disputa pelo controle desse material coloca diferentes facções em conflito e serve de base para a campanha e os confrontos do jogo.

APOSTA NO TRADICIONAL

A escolha estética e mecânica é interessante porque o RTS moderno passou anos procurando novas fórmulas. Enquanto alguns títulos reduziram o gerenciamento de bases e recursos, outros tentaram aproximar o gênero de MOBAs, jogos de cartas ou sistemas de progressão típicos dos RPGs. Liquidation faz o caminho contrário: não tenta reinventar o que funcionou nos clássicos, mas recuperar a estrutura do RTS tradicional com controles e sistemas contemporâneos.

Isso fica evidente na forma como o jogador precisa lidar simultaneamente com economia e combate. Não basta reunir um grande exército e enviá-lo contra o inimigo. É necessário manter a produção de recursos, construir edifícios, proteger pontos estratégicos e escolher como utilizar cada unidade. Essa multiplicidade de tarefas é um dos elementos que ajudaram a definir o gênero desde seus primeiros sucessos.

O ritmo também é diferente dos jogos de estratégia que dominaram os consoles. Liquidation exige controle simultâneo de várias unidades e leitura constante do campo de batalha. Um erro na organização da economia pode comprometer a produção militar minutos depois, enquanto uma distração durante um combate pode significar a perda de um comandante ou de uma posição importante.

Por enquanto, Liquidation ainda é um jogo em desenvolvimento. O título chegou ao Steam como acesso antecipado, e a própria Divio afirma que pretende utilizar o período para receber opiniões dos jogadores e realizar ajustes de equilíbrio, algo especialmente importante em um RTS com modos para um jogador e disputas multiplayer. Nas primeiras semanas, a recepção dos usuários tem sido positiva, com destaque para a jogabilidade e para as referências aos clássicos do gênero.

O jogador sentirá falta de animações e demais recursos que ainda estão em produção. Por ora, a ideia é validar os mecanismos de combate. Mas, para quem jogou StarCraft e Dune II, lá atrás, foi um doce reencontro. O game tem preço de R$ 73,91 na Steam.

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