ADAMANTIUM NA VEIA

Marvel’s Wolverine é intenso, sangrento, mas linear como um Hack and Slash

Game protagonizado pelo mutante mais furioso dos quadrinhos agrada por dar ao jogador a oportunidade de simplesmente agir como um animal

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 21/09/2026 às 09:34.
 (Insomniac Games/Divulgação)
(Insomniac Games/Divulgação)

Uma das “promessas de campanha” do PS5 era o lançamento do game exclusivo do mutante Wolverine. E depois de uma eternidade, a Insomniac publicou Marvel’s Wolverine, que transforma qualquer um no perturbado Logan.

O game exclusivo para PS5 estreou na terça-feira (15) e tivemos a chance de testá-lo com antecedência. Com valores que partem dos R$ 400, não se trata de um jogo barato, mas ele oferece muitos argumentos para justificar o esforço financeiro.

A trama faz uma costura com diversas interpretações da saga de Logan, mas com início muito parecido com o fio seguido pelo primeiro longa-metragem, em que Logan e Dente de Sabre eram parceiros em uma equipe de mercenários mutantes.

Mas, diferentemente de serem subordinados ao coronel Stryker, a equipe é acolhida por Nathaniel Essex, que é a face humana do Sr. Sinistro. Essex acolhe Logan, que vivia no mato como um bicho.

Para quem não sabe, o fator de cura de Wolverine interfere em sua memória. Assim como qualquer ferimento é curado, suas lembranças dolorosas tendem a desaparecer. Por isso, Logan vive um eterno conflito com ele mesmo. Isso é abordado no game de forma engenhosa, com flashbacks e gatilhos que ativam as lembranças.

Assim, a trama insere Wolverine numa missão de resgate de Essex, que tinha sido sequestrado por Bolivar Trask e o desertor Omega Red. A primeira missão funciona como tutorial, mas já ajuda a construir vínculos com Dente de Sabre e Mística. Após o resgate, a história começa a ganhar força e Logan inicia uma jornada de encontros e descobertas, construindo a história com elementos que conhecemos dos quadrinhos, desenhos animados, games e filmes.

O jogo

Mas vamos ao jogo. Diferentemente da série Marvel’s Spider-Man, que tem estilo mundo aberto, Wolverine é linear. Afinal, não faria sentido Logan perambular pelas ruas da cidade em busca de pequenas tarefas.

Em Wolverine, o estilo é Hack and Slash, como God of War, Devil May Cry e Castlevania: Lords of Shadow. O negócio é enfrentar hordas de inimigos com suas garras e uma dose absurda de agressividade.

Imortal, pero no mucho!

Logan tem a seu favor o fator de cura, mas, se apanhar demais, ele morre. No entanto, há uma barra que enche à medida que o jogador executa seus golpes. Ela tem três estágios e fortalece os sentidos do mutante, que se torna cada vez mais agressivo.

Com a barra no máximo, Logan é capaz de localizar os oponentes pela frequência cardíaca. E, se por acaso a energia acabar, é possível usar essa barra para ajudá-lo a se regenerar.

Um fator bem interessante é que Wolverine, à medida que sofre danos, tem seus trajes danificados, assim como ferimentos e fraturas expostas. Costelas, parte do crânio e os demais ossos de Adamantium ficam à mostra. E, quando ele utiliza o fator de cura, os ferimentos cicatrizam diante dos olhos e a roupa continua aos farrapos. É bem legal.

Baby face

Um ponto que me chamou atenção é a expressão de Logan. Nos quadrinhos e nos desenhos, Wolverine tinha uma cara amarga. No cinema, Hugh Jackman também incorporou essa expressão raivosa, principalmente nos dois últimos filmes do herói, em que o ator já está mais velho.

Mas, no game, Wolverine tem uma carinha quase fofa, com um semblante ingênuo. Nada grave, mas não custava nada empregar aquele olhar de animal raivoso que sempre marcou a personalidade do mutante. Melhor escolher os trajes com máscara.

Fora isso, é um game espetacular. Há críticas que apontam o game como fácil demais, problema que pode ser facilmente resolvido com o aumento do nível de dificuldade.

Basta jogar no modo mais desafiador, mas, mesmo no modo intermediário, o game se mostra bastante equilibrado. Orientações do caminho a ser percorrido também geraram reações, pois podem diminuir a exploração, tornar a jornada óbvia e tirar o realismo.

Queridos, estamos falando de um jogo de um cara que tem ossos de aço e luta contra seres com poderes especiais. Não dá para exigir realismo. Basta entrar no clima da fantasia e deixar o baile seguir.

Mas, apesar das reclamações, o jogo é repleto de pancadaria, cenas de ação, flashbacks e uma história que revela toda a complexidade da saga dos X-Men. Vale a pena jogar.

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