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Nintendinho ou Famicom? Iguais, mas nem tanto

Durante os anos 1980 e 1990, a Nintendo vendeu o mesmo console para EUA e Japão, mas com diferenças físicas.

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 22/06/2026 às 15:13.
 (Foto: Imagem criada por IA/Chat GPT)
(Foto: Imagem criada por IA/Chat GPT)

Quem cresceu na virada dos anos 1980 para 1990 se lembra muito bem da enxurrada de consoles que chegou ao Brasil. Enquanto a Tec Toy assegurou o licenciamento para ter exclusividade com o Master System e Mega Drive, várias outras empresas desenvolveram aparelhos com base na arquitetura do NES e do Famicom, os dois modelos que a Nintendo vendia, nos Estados Unidos e no Japão.

Basicamente NES e Famicom são os mesmos aparelhos, mas com visuais diferentes por uma questão de marketing e controle de produção. Mas como assim?

Por volta de 1983, a Atari entrou em colapso nos Estados Unidos, o que levou os consoles de videogame a cair em desgraça por lá. O hardware defasado e a baixa qualidade dos jogos condenaram o velho 2700 ao naufrágio, sugando tudo que estava ao redor.

A Nintendo tinha acabado de lançar o Famicom no Japão e sabia que precisava do mercado norte-americano para expandir as operações. Mas o varejo tinha tomado trauma do tal videogame, e o Famicom tinha design que remetia aos consoles da época.

Assim, a divisão norte-americana da Big N resolveu redesenhar o aparelho, com um estilo limpo que remetia a um videocassete e o vendeu como Sistema de Entretenimento Nintendo (NES). A ideia era vendê-lo como um aparelho mais próximo de um computador pessoal (que estava em franca expansão nos EUA) do que um novo Atari.

A Nintendo também modificou o design do cartucho, que parecia um disquete. Era enorme e encaixava na gaveta. Tudo remetia a um desktop, mas não era. O cartucho também contava com 72 pinos, ao invés dos 60 pinos do padrão japonês. Os pinos excedentes alteravam a alimentação de dados para evitar cópias piratas. O console chegou em 1985 e a maquiagem deu muito certo. O NES se tornou uma febre.

No início dos anos 1990, a Nintendo repetiu a dose com a chegada dos consoles Super Nintendo e Super Famicom. Os dois chegaram ao mesmo tempo, tinham o mesmo joystick e o mesmo hardware, mas diferiam em estilo. Nesse momento as alterações se davam mais pelo gosto do consumidor do que para um convencimento do varejo. Afinal, o videogame tinha voltado a ser uma febre e criou um mercado bilionário.

Visualmente, o Super Nintendo tinha design retilíneo, com tonalidade neutra, enquanto o Super Famicom tinha formas arredondadas e joystick com botões coloridos. Os cartuchos tinham a mesma placa e a mesma quantidade de pinos. No entanto, a versão japonesa tinha formato com portas retilíneas, enquanto o americano utilizava cantos curvos.

Dessa forma o cartucho americano não cabia no japonês, mas o asiático poderia ser acoplado ao Super Nintendo. A solução da Big N foi adicionar dois ressaltos na base do soquete e colocar sulcos nos cartuchos. Dessa forma, o game japonês, que tinha base lisa, não se encaixaria.

Uma solução barata e inútil, pois todo mundo que comprava um Super Nintendo cortava a trava com um canivete ou até mesmo quebrava com um alicate. Mas no caso inverso, era preciso comprar um adaptador que permitia encaixar o modelo americano no Super Famicom.

No Brasil, o modelo oficial foi o Super Nintendo. Ele foi inclusive fabricado pela Gradiente entre 1993 e 2003. Além disso, nas vendas via contrabando o modelo americano era mais fácil de ser encontrado. Quem tinha um Super Famicom geralmente era quem tinha algum conhecido que tinha comprado no Japão. Era uma questão de status, inclusive.

Mas seja Super NES ou Super Famicom, fato é que a Nintendo se consolidou com essa dupla. Depois dele ficou difícil para a grande rival Sega se sustentar. Até hoje o Super Nintendo é um objeto de desejo. E quem tem, não vende. Eu não vendo o meu.

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