Mercenários além da força

Star War Zero Company é uma excelente ramificação do universo de George Lucas

Em vez de colocar o jogador diretamente no controle de um Jedi, game exige planejamento, leitura do campo de batalha e coordenação entre integrantes com habilidades distintas

Marcelo Jabulas
@garagemdojabulas
Publicado em 17/10/2026 às 07:00.
 (Divulgação)
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Star Wars construiu sua identidade no cinema com duelos de sabres de luz, batalhas espaciais e a disputa entre o Império e a Aliança Rebelde. Nos videogames, porém, a franquia encontrou caminhos que vão além da fórmula dos filmes. Star Wars Zero Company é mais um exemplo desta expansão ao combinar o universo das Guerras Clônicas com a estrutura de estratégia tática popularizada pela franquia UFO, lançada em 1994.

Desenvolvido pela Bit Reactor, em colaboração com Respawn Entertainment e Lucasfilm Games, o título foi lançado em 27 de agosto de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A campanha acompanha Hawks, um ex-oficial da República que lidera um grupo de profissionais recrutados para enfrentar a ameaça da Infinite Coil, organização alinhada aos Separatistas que pretende disseminar uma praga pela galáxia.

A escolha do gênero é o principal diferencial. Em vez de colocar o jogador diretamente no controle de um Jedi ou de um piloto de caça, Zero Company exige planejamento, leitura do campo de batalha e coordenação entre integrantes com habilidades distintas. Cada movimento pode comprometer a missão, especialmente quando o grupo enfrenta adversários em posições defensivas ou precisa avançar sob fogo inimigo.

A comparação com X-COM: Enemy Unknown, que é um reboot da série, lançado em 2012 pela Firaxis Games, é inevitável, assim como o mais recente Alien: Dark Descent. Os dois jogos trabalham com confrontos por turnos, cobertura, posicionamento e especialização dos combatentes. A diferença está no contexto e na maneira como essas ferramentas são incorporadas à experiência. Em Zero Company, os personagens podem incluir desde mercenários, droides até usuários da Força, com habilidades que ampliam as possibilidades de abordagem.

O sistema de progressão também procura dar identidade à equipe. Recrutar personagens, personalizar equipamentos e desenvolver vínculos entre os integrantes influencia a preparação para as missões. A estratégia, portanto, não se limita a escolher o melhor ponto para disparar: envolve formar um grupo capaz de responder a diferentes situações. A possibilidade de perder integrantes no modo de morte permanente exige atenção em cada jogada, como se fosse uma partida de xadrez.

Sem a sombra dos Jedi

Um ponto interessante da produção é que o game corre livre, sem se amarrar na trama canônica de Star Wars. Ele apenas pontua o período em que se passa a história (durante as Guerras Clônicas). E sempre que os produtores se descolam da espinha dorsal, o resultado é positivo. Em 1995, Dark Forces levou a série aos jogos de tiro em primeira pessoa, com exploração e combate em instalações imperiais. Já TIE Fighter, de 1994, colocou o jogador na cabine de uma nave do Império e transformou a simulação espacial em uma experiência baseada em precisão, gerenciamento de energia e cumprimento de objetivos.[/TEXTO]

Empire at War, de 2006, seguiu outra direção ao combinar estratégia em tempo real, administração de territórios e batalhas espaciais. Em vez de acompanhar um único herói, o jogador passou a controlar forças militares e disputar o domínio de sistemas planetários. Knights of the Old Republic, lançado em 2003, demonstrou outra possibilidade: um RPG com escolhas narrativas, desenvolvimento de personagens e uma história ambientada milhares de anos antes dos filmes.

E por fim The Force Unleashed, de 2008, que colocava o jogador num aprendiz de Sith, treinado por Darth Vader. Um game que deu protagonismo ao vilão. Foi tão bem recebido que teve uma continuação em 2010. Por pouco não teve um terceiro episódio.

Esses jogos compartilham o universo ficcional, mas não dependem de uma única estrutura de gameplay. Cada um encontra um aspecto de Star Wars que funciona em seu gênero: a guerra de guerrilha em Dark Forces, o combate espacial em TIE Fighter, a escala militar em Empire at War, as escolhas individuais em KOTOR e a pura fúria em The Force Unleashed.

Zero Company segue essa lógica ao transformar as Guerras Clônicas em um cenário de operações táticas. O conflito entre República e Separatistas oferece o pano de fundo, mas a história se concentra em uma equipe que atua longe dos protagonistas tradicionais da saga. Essa distância amplia o leque do universo, Star Wars e nossa imaginação tenta conectar todos os mundos dessa galáxia muito distante.

Disponível para PC, PS5, Xbox Series X|S, com preços a partir de R$ 200.

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