
Digam o que quiserem, mas os anos 1990 foi um dos mais fecundos para a indústria de games. E não é por nostalgia ou memória afetiva que cravo tal afirmação. É porque a última década do milênio foi um período de convergência de várias plataformas e tecnologias. Tivemos a consolidação dos consoles 16 Bits, assim como a chegada de aparelhos de 32 e 64 Bits, tal como a popularização das placas de som e vídeo e os leitores de disco.
Tudo isso permitiu uma profusão de consoles, gráficos e novos estilos de games. E Vultures: Scavengers of Death surge como uma tentativa de combinar dois gêneros que bombaram nos anos 1990, com dinâmicas distintas, em um único título.
O game bebe na fonte o survival horror clássico e a estratégia tática em turnos. Desenvolvido pela Team Vultures, o jogo coloca o jogador em uma cidade devastada por um desastre biológico, com missões focadas em exploração, coleta de recursos e sobrevivência. A primeira vista é impossível não se lembrar do título de estreia da franquia Resident Evil, misturado como UFO: Enemy Unknow.
A estrutura é baseada em incursões por áreas contaminadas, nas quais o jogador controla personagens com habilidades específicas. O objetivo central envolve entrar, coletar itens e sair com vida, evitando confrontos diretos sempre que possível. A gestão de recursos, especialmente munição e itens médicos, é parte essencial da experiência.
O principal diferencial está no combate em turnos. Trata-se de um modelo de gameplay que se perdeu nos últimos anos, com o avanço do processamento gráfico e recursos de jogabilidade, que tornaram o estilo obsoleto.
Ao contrário do padrão mais comum no survival horror, que prioriza ação em tempo real e sensação de urgência, aqui o jogador tem tempo para planejar cada movimento. A proposta aproxima o jogo de títulos táticos, nos quais posicionamento e tomada de decisão são mais importantes do que reflexos.
Essa escolha impacta diretamente a construção de tensão. Embora o jogo utilize elementos típicos do horror, como cenários escuros, ambientes fechados e trilha sonora voltada para suspense, a presença do sistema em turnos reduz a sensação de perigo imediato. O jogador raramente é surpreendido, já que todas as ações são mediadas por planejamento. Ou seja, sempre dá para pensar um pouco, sem agir por impulso.
A estética segue uma linha retrô, com inspiração na era dos primeiros jogos em 3D. Os cenários são claustrofóbicos e reforçam a proposta de isolamento, enquanto o design de som contribui para a ambientação. Ainda assim, o impacto visual pode variar, especialmente para quem não tem familiaridade com esse estilo. E se você é daqueles jogadores que se importam demais com frames por segundo, ray tracing e outras modernidades, Vultures pode não lhe agradar.
Um passo de cada vez
Na jogabilidade, o título prioriza furtividade e economia de recursos. Confrontos diretos tendem a ser arriscados, incentivando abordagens mais cautelosas. As armas não funcionam como progressão de poder, mas como recursos para cada tipo de situação, o que reforça o caráter estratégico. Saber como e quando usar a munição é a garantia de se manter na campanha.
A narrativa segue elementos conhecidos do gênero, como infecção em larga escala e presença de organizações misteriosas. O enredo é desenvolvido por meio de documentos e fragmentos espalhados pelo cenário, mantendo o foco na exploração.
No conjunto, Vultures: Scavengers of Death uma proposta saudosista, em que combina elementos dos antigos jogos de estratégia para computadores, temperado com a tensão dos jogos de Survival Horror. Com lançamento previsto para 28 de abril, o jogo ainda não tem preço, mas vale a pena fazer o download da versão demo, na Steam, para sentir se vale a pena apostar numa compra futura.