Dia Mundial do Chocolate relembra origem do cacau e mudanças no setor brasileiro
Data destaca a trajetória do chocolate, enquanto nova legislação e crescimento da produção de chocolates de origem impulsionam o mercado nacional

Celebrado nesta segunda-feira (7), o Dia Mundial do Chocolate marca a trajetória de um dos alimentos mais consumidos do mundo. Antes de ganhar o formato em barra e o sabor popularizado pela indústria, o chocolate teve origem no cacau, fruto cultivado há milhares de anos nas Américas e utilizado por povos como maias e astecas.
Segundo historiadores, a data faz referência à chegada do chocolate à Europa, em meados do século XVI. Inicialmente consumido pela elite, o produto passou por transformações ao longo dos séculos até alcançar a versão adoçada e ao leite, que se popularizou a partir da Revolução Industrial.
No Brasil, o cultivo de cacau ganhou força especialmente na Bahia, que durante décadas liderou a produção nacional e colocou o país entre os maiores exportadores do mundo. O setor sofreu forte impacto a partir do fim da década de 1980 com a disseminação da doença conhecida como vassoura-de-bruxa, que reduziu drasticamente a produção.
Atualmente, o Brasil ocupa a sexta posição entre os maiores produtores mundiais de cacau, com cerca de 250 mil toneladas anuais. O Pará assumiu a liderança da produção nacional, enquanto a indústria brasileira passou a investir em chocolates de origem e produtos premium, agregando valor à matéria-prima.
Esse movimento também ampliou o reconhecimento internacional do cacau brasileiro. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) passou a classificar o Brasil como exportador de cacau fino e de aroma. Entre 2021 e 2025, as exportações brasileiras de cacau, chocolate e derivados movimentaram US$ 1 bilhão, segundo dados da ApexBrasil.
Outra mudança recente ocorreu na legislação. Sancionada neste ano, a Lei 15.404/2026 estabeleceu novas regras para a composição e a rotulagem dos produtos derivados do cacau. Pela norma, chocolates devem conter pelo menos 35% de sólidos totais de cacau, enquanto a versão ao leite precisa ter no mínimo 25%. A identificação da concentração de cacau também passa a ter mais destaque nas embalagens.
Para o empresário Marco Lessa, idealizador do Chocolat Festival, as mudanças contribuem para valorizar o principal ingrediente do produto e fortalecer a cadeia produtiva brasileira. Segundo ele, o setor tem buscado reduzir a dependência da exportação de commodities e ampliar a produção de chocolates de maior valor agregado.
O segmento também se prepara para receber um dos principais eventos da área. Em dezembro, Salvador sediará a primeira edição brasileira do Salon du Chocolat, feira internacional dedicada ao cacau e ao chocolate. A expectativa é reunir produtores, fabricantes, chefs e representantes do mercado nacional e estrangeiro para discutir tendências e oportunidades para o setor.
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