SAÚDE

Cirurgia pulmonar de alta complexidade que reduz temperatura corporal para 20°C é realizada em BH

Procedimento feito na rede Mater Dei, em BH, induz parada circulatória para remover trombos das artérias pulmonares

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 14/04/2026 às 16:20.Atualizado em 14/04/2026 às 16:26.
Luciene Hatada convivia há meses com cansaço extremo e falta de ar progressiva (Mater Dei/Divulgação)
Luciene Hatada convivia há meses com cansaço extremo e falta de ar progressiva (Mater Dei/Divulgação)

Considerada uma das cirurgias cardiovasculares mais complexas da medicina, a tromboendarterectomia pulmonar (TEP) foi realizada pela primeira vez na unidade Contorno da rede Mater Dei, em Belo Horizonte. O procedimento é indicado para pacientes com hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC), que compromete gravemente a respiração e a capacidade funcional.

A cirurgia representou uma mudança radical na rotina de Luciene Hatada, de 58 anos, moradora de Varginha, no Sul de Minas, que há meses convivia com cansaço extremo e falta de ar progressiva. Diagnosticada inicialmente com embolia pulmonar, ela não apresentava melhora clínica. “A cada três passos, ficava sem ar e com o coração acelerado”, relata.

Com duração de aproximadamente sete horas, o procedimento mobilizou diferentes frentes assistenciais do hospital. De volta para casa, a paciente segue em acompanhamento clínico, com redução gradual de medicamentos e evolução favorável. 

“Depois da cirurgia, comecei a recuperar quase sem incômodos. Ainda faço uso de oxigênio, canso um pouquinho, mas cada dia melhor. Eu estava ansiosa para passar por tudo isso, e passou. A cada dia me sinto mais recuperada”, conta.

Entenda a tromboendarterectomia pulmonar (TEP) 

O procedimento na rede Mater Dei foi conduzido pelo cirurgião cardiovascular Cláudio Gelape. Segundo o médico, a tromboendarterectomia pulmonar exige uma condição cirúrgica extremamente delicada: para remover manualmente trombos antigos aderidos às artérias pulmonares, é necessário reduzir a temperatura corporal do paciente de 37°C para 20°C e induzir parada circulatória total.

“Os pulmões têm circulação dupla, e por isso é necessária a parada circulatória completa para que o cirurgião consiga acessar os trombos e retirá-los com precisão. O controle rigoroso da temperatura é decisivo para o sucesso da operação”, detalha o especialista.

Indicada como tratamento curativo, a tromboendarterectomia pulmonar realizada em Luciene Hatada teve como objetivo reduzir a pressão pulmonar, melhorar a função cardíaca e restaurar a capacidade respiratória da paciente. 

“É uma cirurgia muito delicada, porque retira-se um trombo de dentro da artéria pulmonar. É exatamente ele que provoca o entupimento e impede o paciente de manter atividades simples do dia a dia”, explica Bruno Horta, coordenador do Serviço de Pneumologia da Rede Mater Dei. 

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