'Alegria triste': venezuelano em BH reage à captura de Maduro após ataque dos EUA
Dono de restaurante na capital mineira diz que ação é a 'melhor notícia em 15 anos', mas relata tensão e medo de mortes de civis

Uma mistura de alívio, dor e apreensão marcou a reação de venezuelanos que vivem em Belo Horizonte após o ataque em larga escala realizado pelos Estados Unidos contra a Venezuela neste sábado (3), que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores.
Para Reinaldo, venezuelano que vive há nove anos no Brasil e é dono de um restaurante na capital mineira, o momento é definido por um sentimento contraditório: “Nós estamos em um júbilo, é uma alegria triste”.
Para o empresário, que prefere resguardar o sobrenome, a ação anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representa um marco após anos de crise profunda no país. “Para nós é uma das melhores notícias em mais de 15 anos”, afirmou. Segundo ele, a captura de Nicolás Maduro é vista por muitos como um sinal de possível ruptura com um período marcado por violência, escassez e colapso dos serviços públicos.
Porém, ele acredita que a crise não se encerra com a captura do presidente. “Nicolás Maduro nem é a cabeça da cobra”, afirmou, ao indicar que outras figuras do alto escalão do regime ainda exercem poder e que novas ações podem ocorrer nos próximos dias, resultando em tragédias.
“Tomara que não, mas quem sabe terão algumas mortes de civis. Eu falo hoje com o coração na mão, talvez, mas vão ser necessárias, caso aconteça”, completou.
Contato com familiares na Venezuela
Sobre os parentes que estão na terra natal, na região de Maracay, capital do estado de Aragua, Reynaldo disse que teve pouco contato nas últimas horas devido ao clima de tensão e às dificuldades de comunicação e o medo do que ainda pode acontecer.
“Muita gente está na euforia porque graças a Deus aconteceu o que todo mundo tava esperando, mas ninguém tira essa tensão e preocupação. Tanto para quem está dentro (do país), quanto para quem está fora", ressaltou.
Segundo ele, familiares relataram orientações para que a população permanecesse em casa, estocasse água, alimentos e bateria de celular. Mesmo assim, há pessoas saindo às ruas em desespero, sem saber para onde ir ou quando pode ocorrer um novo ataque.
Comunidade mobilizada no Brasil
O impacto da notícia foi imediato também fora da Venezuela. Reinaldo contou que, desde as primeiras horas da manhã, recebeu dezenas de ligações e mensagens de amigos, clientes e conhecidos preocupados com a situação da família.
“Desde às 8 horas da manhã eu já recebi umas 30 ligações e mensagens”, disse. Segundo ele, a reação reflete a realidade de milhões de venezuelanos que vivem fora do país e acompanham os acontecimentos com apreensão.
Mesmo diante da mudança no cenário político, Reinaldo afirma que não considera voltar a viver na Venezuela. “Falar assim: ‘Melhorou Venezuela, amanhã eu vou para lá’, seria mentira”, disse. Para ele, a reconstrução do país deve levar anos, e muitos venezuelanos que se estabeleceram no Brasil seguirão ajudando familiares à distância.
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