Avanço na conservação da espécie: filhote de bicudo nasce em ambiente natural no Norte de Minas
Registro foi feito em reserva particular de Januária após anos de trabalho de reintrodução do animal na natureza

O nascimento de um filhote de bicudo (Sporophila maximiliani) em ambiente natural, no Norte de Minas Gerais, é considerado um avanço nas ações de conservação de uma das aves mais ameaçadas do país. O registro ocorreu em fevereiro deste ano na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Porto Cajueiro, em Januária, após anos de trabalho voltado à reintrodução da espécie em seu habitat.
O resultado integra as ações do Projeto Bicudo, conduzido pela Associação Angá, em parceria com instituições públicas, pesquisadores e organizações da sociedade civil. A iniciativa tem como objetivo recuperar populações da espécie em ambientes naturais.
Entre os parceiros está o Instituto Estadual de Florestas (IEF), que contribuiu para o projeto com a destinação de aves provenientes do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Patos de Minas. Esses indivíduos passaram a integrar o grupo utilizado nas ações de reintrodução.
O órgão também acompanha o projeto desde 2021, quando foi emitida a primeira autorização para o desenvolvimento das atividades. Atualmente, a iniciativa está na quarta renovação da autorização que permite a soltura e o monitoramento das aves em ambiente natural, seguindo critérios técnicos e legais.
Ave é alvo frequente de comércio ilegal
Historicamente valorizado pelo canto e também alvo frequente do comércio ilegal, o bicudo sofreu forte redução populacional nas últimas décadas. A perda de habitat e o tráfico de animais silvestres estão entre os principais fatores que contribuíram para o declínio da espécie, hoje classificada como criticamente ameaçada de extinção.
Para o biólogo e coordenador técnico do Projeto Bicudo, Gustavo Bernardino Malacco da Silva, o nascimento do filhote representa um sinal importante de que os animais reintroduzidos estão se adaptando ao ambiente natural. “O registro desse filhote em vida livre, na Reserva Particular do Patrimônio Natural Porto Cajueiro, é resultado de anos de trabalho com manejo, soltura e monitoramento dos indivíduos reintroduzidos. Esse nascimento mostra que os animais estão conseguindo se adaptar ao ambiente e iniciar processos reprodutivos naturais, o que é fundamental para a recuperação do bicudo na natureza”, afirma.
Áreas protegidas são fundamentais
O fato de a reprodução ter ocorrido dentro de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural reforça a importância dessas áreas para a conservação da biodiversidade. Criadas voluntariamente por proprietários de terra, as RPPNs contribuem para a preservação de habitats naturais e para a proteção de espécies ameaçadas.
Na RPPN Porto Cajueiro o ambiente preservado oferece condições adequadas para a sobrevivência da espécie, como disponibilidade de alimento, abrigo e locais apropriados para a construção de ninhos - fatores essenciais para o ciclo reprodutivo do bicudo.
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