prejuízos imediatos

Carne bovina: produtores se preocupam com suspensão de compras pela UE a partir desta quinta

Uso de remédios antimicrobianos motivou decisão do bloco europeu

Do HOJE EM DIA*
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Publicado em 03/09/2026 às 12:11.
União Europeia interrompe a compra de carne bovina brasileira a partir desta quinta-feira (3) (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
União Europeia interrompe a compra de carne bovina brasileira a partir desta quinta-feira (3) (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O setor que produz e exporta carne bovina brasileira anunciou que “vê com preocupação” a decisão da União Europeia de interromper a compra do produto, a partir desta quinta-feira (3). De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), “a entidade vem atuando em conjunto” com o Ministério da Agricultura e Pecuária, autoridade sanitária brasileira responsável pela negociação com as autoridades da Europa.

A decisão de retirar o Brasil da lista de países aptos a cumprir as exigências sobre o uso de remédios antimicrobianos na produção bovina aconteceu em junho deste ano. O bloco europeu explicou que levou em conta que a legislação de lá proíbe o uso de algumas substâncias que aceleram o crescimento dos animais e aumentam a produtividade, como é o caso de alguns antimicrobianos. Além disso, a UE veta o uso de antibióticos que tratam infecções humanas.

Após a decisão, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou que enviou ofícios ao governo e ao congresso brasileiros, “alertando para os prejuízos ao setor agropecuário com a decisão da União Europeia”.

O texto cita que a suspensão da carne bovina pelo bloco “desconsidera o rigor do sistema oficial de defesa e inspeção sanitária do Brasil” e impõe “prejuízos imediatos às cadeias produtivas nacionais, gerando grave e injustificada distorção no acesso ao mercado europeu”.  

Ainda em meio às negociações, o Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil informou, em julho deste ano, que busca “atender integralmente aos requisitos estabelecidos pelos mercados importadores” e não a flexibilização das normas sanitárias europeias. E completou dizendo que “o Brasil exporta produtos de origem animal para mais de 150 países”. 

Diante da exclusão do Brasil da lista do bloco europeu, o Ministério ainda anunciou ter apresentado à Comissão Europeia “documentação técnica robusta, detalhando os mecanismos oficiais de fiscalização e as garantias governamentais para cada uma das cadeias produtivas” 

Ainda nesse contexto, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes afirma que a carne bovina brasileira segue sendo comercializada nos demais países. No entanto, alerta que a substituição por outros compradores não é automática, já que cada país demanda produtos e cortes diferentes. Por isso, a ABIEC reforça a importância de negociar a reinclusão da carne bovina brasileira no mercado europeu.

*com informações da Agência Brasil

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