PRATELEIRA VIRTUAL

Com o fim das mídias físicas, unidades de armazenamento são as estantes do futuro

Games cada vez mais pesados e sofisticados não cabem mais em discos e ao mesmo tempo demandam mais memória para processar e armazena-los

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 08/09/2026 às 11:00.
 (Imagem gerada por IA/ChatGPT)
(Imagem gerada por IA/ChatGPT)

A forma que consumimos produtos culturais, artísticos e de entretenimento está mudando. Se há 40 anos comprávamos fitas K7 para gravar músicas do rádio e posteriormente estantes para guardar CDs, hoje ouvimos música no celular conectado a um fone sem fio.

Games também passaram por mudanças, dos cartuchos aos discos óticos, hoje vivemos a consolidação dos formatos digitais. E nesse caminho sem volta, armazenamento se tornou fundamental para guardar tanta coisa num lugar só. Mas tem outro desafio, que muitas vezes não levamos em conta: agilidade.

Se até pouco tempo o armazenamento era principalmente uma questão de espaço, hoje SSDs e memória RAM passaram a ter influência direta na experiência de uso. Jogos que ultrapassam 100 GB, atualizações frequentes e bibliotecas cada vez maiores aumentaram a demanda por capacidade e velocidade. Segundo a Pesquisa Game Brasil, apenas 30% dos jogadores brasileiros ainda têm preferência pelos formatos físicos.

No PC, a distribuição digital já está consolidada há mais de uma década. Nos consoles, a expansão das lojas virtuais e das versões digitais ampliou o mesmo movimento. O resultado é uma mudança na infraestrutura doméstica. Discos rígidos perderam espaço para SSDs, especialmente os modelos NVMe, que oferecem maior velocidade de leitura e escrita e reduzem o tempo necessário para carregar grandes volumes de dados.

A memória RAM também ganhou importância. Os jogos atuais trabalham com uma quantidade crescente de informações simultâneas, enquanto sistemas operacionais e outros aplicativos continuam consumindo recursos. A combinação entre armazenamento rápido e memória suficiente passou a ser determinante para reduzir carregamentos e evitar interrupções durante a execução.

“O ecossistema mudou e o papel do hardware foi elevado na ponta do consumidor. O gamer brasileiro de hoje precisa expandir a capacidade de sua máquina local com SSDs NVMe velozes para conseguir abrigar sua biblioteca digital”, explica Iuri Santos, gerente de tecnologia da Kingston no Brasil.

Ao mesmo tempo, o Cloud Gaming começa a criar uma alternativa ao processamento local. Nesse modelo, o jogo é executado em um servidor remoto e transmitido para o dispositivo do usuário. A tecnologia reduz a necessidade de um computador ou console com grande capacidade de processamento, mas não elimina o hardware. Parte dessa estrutura apenas muda de lugar.

Nos datacenters, servidores precisam processar os jogos e atender diversas sessões simultaneamente. Memórias de alta velocidade e SSDs de desempenho elevado são utilizados para movimentar grandes volumes de dados. A latência passa a ser um dos principais obstáculos, pois o comando do jogador precisa percorrer a rede, ser processado e retornar como imagem à tela.

“O jogo na nuvem não elimina o hardware. Ele apenas o transfere de lugar. O jogo continua rodando em uma máquina física, só que dentro de um datacenter remoto”, afirma Santos.

No Brasil, a expansão do Cloud Gaming ainda depende de fatores como qualidade da conexão e infraestrutura de rede. Enquanto essa tecnologia avança, o download local continua sendo a principal forma de acesso aos jogos digitais, mantendo armazenamento e memória como componentes centrais para se jogar videogame. Haja memória para tanto conteúdo.

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