Compliance Zero

Defesa de delegada e servidor da PF nega vazamento de inquérito sigiloso para grupo de Vorcaro

Advogado afirma que os dois não tinham acesso ao sistema da investigação citada na operação Compliance Zero

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 14/05/2026 às 12:01.Atualizado em 14/05/2026 às 12:29.
Advogado Bruno Correia Lemos, que representa a delegada e o servidor da PF, investigados na 6ª fase da Operação Compliance Zero (Valéria Marques/ Hoje em Dia)
Advogado Bruno Correia Lemos, que representa a delegada e o servidor da PF, investigados na 6ª fase da Operação Compliance Zero (Valéria Marques/ Hoje em Dia)

A defesa da delegada e do servidor da Polícia Federal (PF) investigados na sexta fase da Operação Compliance Zero negou nesta quinta-feira (14) que os dois tenham vazado informações sigilosas para o grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o advogado Bruno Correia Lemos, ambos não tinham autorização para acessar o inquérito citado na investigação.

Os dois foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão também determinou o afastamento cautelar do casal. 

“Cada servidor da Polícia Federal possui uma matrícula e um acesso restrito ao sistema EPOL da Polícia Federal. Então, se esse servidor público não estiver cadastrado em uma determinada operação ou investigação, ele não consegue acessar com a matrícula dele o sistema e proceder com o vazamento”, afirmou a defesa.

Segundo o advogado, tanto a delegada quanto o policial federal citado na investigação não estavam vinculados formalmente ao procedimento sigiloso mencionado pela operação.

“A delegada, tanto o policial federal, eles não estão cadastrados nessa operação. Então eles não conseguem, com a matrícula da Polícia Federal deles, obter informações desse inquérito e divulgar a terceiros”, disse.

A operação investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas, corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. Conforme a Polícia Federal, a nova fase busca desarticular uma organização criminosa suspeita de intimidar pessoas e obter ilegalmente dados protegidos.

Ao comentar a possibilidade de os investigados terem recebido informações de terceiros, o advogado afirmou que, até o momento, não há elementos que sustentem essa hipótese. Bruno Correia Lemos também afirmou que as buscas ocorreram sem resistência e que celulares e notebooks foram entregues espontaneamente aos investigadores.

Segundo ele, a defesa pretende recorrer das medidas cautelares após ter acesso integral aos autos da investigação. “A gente vai apresentar uma petição restabelecendo a verdade e pedindo a modulação dessa medida cautelar deferida”.

6ª fase da Operação Compliance Zero

A sexta fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quinta-feira (14). Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal. 

Em Minas, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão. Além disso, dois mandados de prisão ocorreram em território mineiro. Foram apreendidos R$ 40 mil em espécie, uma arma de fogo, quatro computadores e dez celulares. 

Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em nota, a defesa do investigado criticou a decisão judicial e afirmou que ela teria sido tomada sem que houvesse comprovação suficiente nos autos. Segundo os advogados, a medida se baseou em “fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.

A defesa também alegou que os esclarecimentos não foram solicitados previamente ao investigado e afirmou que “o ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária”. Por fim, informou que pretende apresentar elementos para sustentar a versão apresentada: “Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”.

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