Defesa de delegada e servidor da PF nega vazamento de inquérito sigiloso para grupo de Vorcaro
Advogado afirma que os dois não tinham acesso ao sistema da investigação citada na operação Compliance Zero

A defesa da delegada e do servidor da Polícia Federal (PF) investigados na sexta fase da Operação Compliance Zero negou nesta quinta-feira (14) que os dois tenham vazado informações sigilosas para o grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o advogado Bruno Correia Lemos, ambos não tinham autorização para acessar o inquérito citado na investigação.
Os dois foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A decisão também determinou o afastamento cautelar do casal.
“Cada servidor da Polícia Federal possui uma matrícula e um acesso restrito ao sistema EPOL da Polícia Federal. Então, se esse servidor público não estiver cadastrado em uma determinada operação ou investigação, ele não consegue acessar com a matrícula dele o sistema e proceder com o vazamento”, afirmou a defesa.
Segundo o advogado, tanto a delegada quanto o policial federal citado na investigação não estavam vinculados formalmente ao procedimento sigiloso mencionado pela operação.
“A delegada, tanto o policial federal, eles não estão cadastrados nessa operação. Então eles não conseguem, com a matrícula da Polícia Federal deles, obter informações desse inquérito e divulgar a terceiros”, disse.
A operação investiga um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas, corrupção, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional. Conforme a Polícia Federal, a nova fase busca desarticular uma organização criminosa suspeita de intimidar pessoas e obter ilegalmente dados protegidos.
Ao comentar a possibilidade de os investigados terem recebido informações de terceiros, o advogado afirmou que, até o momento, não há elementos que sustentem essa hipótese. Bruno Correia Lemos também afirmou que as buscas ocorreram sem resistência e que celulares e notebooks foram entregues espontaneamente aos investigadores.
Segundo ele, a defesa pretende recorrer das medidas cautelares após ter acesso integral aos autos da investigação. “A gente vai apresentar uma petição restabelecendo a verdade e pedindo a modulação dessa medida cautelar deferida”.
6ª fase da Operação Compliance Zero
A sexta fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada nesta quinta-feira (14). Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal.
Em Minas, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão. Além disso, dois mandados de prisão ocorreram em território mineiro. Foram apreendidos R$ 40 mil em espécie, uma arma de fogo, quatro computadores e dez celulares.
Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte. Em nota, a defesa do investigado criticou a decisão judicial e afirmou que ela teria sido tomada sem que houvesse comprovação suficiente nos autos. Segundo os advogados, a medida se baseou em “fatos cuja comprovação da licitude e do lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.
A defesa também alegou que os esclarecimentos não foram solicitados previamente ao investigado e afirmou que “o ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária”. Por fim, informou que pretende apresentar elementos para sustentar a versão apresentada: “Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer”.
Leia também: