‘Estão roubando nosso trabalho’, diz presidente de associação de clínicas sobre mudanças na CNH
Audiência Pública realizada nesta quarta-feira (8) debateu mudanças nas regras do Código de Trânsito Brasileiro (CTB)

Entidades que representam médicos e psicólogos fizeram duras críticas à renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas sem infrações. A mudança adotada pelo Governo Federal elimina a exigência de exames em clínicas especializadas.
Presidente da Associação de Clínicas de Trânsito (ACTrans), Adalgisa Lopes criticou a alteração nesta quarta-feira (8) durante audiência pública na Câmara dos Deputados.
As entidades criticam a falta de diálogo e de estudos técnicos para fixar o teto e buscam medidas judiciais para suspender a portaria. Em Minas, o valor dos exames foi reduzido de R$ 221,85 para R$ 90, montante que as clínicas afirmaram ser insuficiente para manter as exigências do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), como salas climatizadas, acessibilidade e biometria.
Coordenador da Mobilização Nacional de Médicos e Psicólogos do Tráfego, Alysson Coimbra também participou da discussão em Brasília. Para ele, a redução do preço dos exames “pesou no bolso” dos profissionais da saúde.
“De R$ 90, temos R$ 18 de taxas do Estado. Somando 15% do imposto de renda, sobram apenas R$ 52 para pagarmos uma clínica que só pode funcionar para essa funcionalidade, para custear especialistas em medicina e psicologia”, destacou Alysson Coimbra, que é diretor da Associação Mineira de Medicina do Tráfego (Ammetra).
Comissão debate mudanças na CNH
A audiência pública da Comissão Especial da Câmara dos Deputados debate nesta quarta-feira (8) as mudanças adotadas pelo Governo Federal no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Dentre as alterações, a renovação automática - ou seja, sem a necessidade de exames - da CNH para condutores sem infrações. Especialistas alertam para os riscos da medida.
O debate sobre o tema ocorre em Brasília. Em Belo Horizonte, cerca de 140 profissionais se reuniram na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para acompanhar a sessão em tempo real. A transmissão é feita por meio de um telão.
Além disso, uma comitiva de 150 profissionais mineiros, organizada pela Associação de Clínicas de Trânsito de Minas Gerais (ACTRANS-MG), está no plenário em Brasília para acompanhar a discussão presencialmente.
