
Cem jovens trocam a rotina da sala de aula por uma imersão em laboratórios, experimentos e debates científicos na UFMG, em Belo Horizonte. Realizada até sexta-feira (24), a oitava edição do Clubes de Ciência Brasil transforma estudantes em protagonistas da investigação científica e, pela primeira vez, terá um clube de RNA conduzido pelo CTVacinas.
A iniciativa recebeu 153 inscrições para as 100 vagas disponíveis. Desse total, 59% vieram de escolas públicas e 59% são jovens de 14 a 17 anos. O público reúne estudantes dos ensinos Fundamental e Médio e dos primeiros anos da graduação, selecionados para uma programação gratuita que aproxima ciência, tecnologia e problemas atuais da sociedade.
“Quando um jovem entra em contato com a ciência enquanto ela acontece, começa a se reconhecer como alguém capaz de produzi-la”, afirma Santuza Teixeira, coordenadora do Centro de Competência em Vacinas e Terapias com RNA.
“O Clube não foi pensado para ensinar respostas prontas. Queremos que os estudantes formulem perguntas, testem hipóteses, analisem resultados e compreendam como o conhecimento científico é construído. Para muitos deles, esta é a primeira oportunidade de viver a ciência dessa maneira”, explica Pedro Guimarães, professor do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG e coordenador do Clube de Ciência em Minas Gerais.
Ciência na prática
Durante as manhãs, os participantes acompanham palestras com especialistas sobre temas como RNA, vacinas, inteligência artificial, câncer, comunicação científica, empreendedorismo e inovação.
À tarde, eles se dividem em cinco clubes para colocar o conhecimento em prática por meio de observações, demonstrações, atividades e experimentos.
A programação ocorre no auditório do ICB e em salas do Centro de Atividades Didáticas de Ciências Naturais (CAD 3). No último dia, os grupos participam da Feira de Ideias, quando apresentam os resultados da semana a avaliadores e discutem as soluções desenvolvidas.
Os estudantes também participam de uma imersão em propriedade intelectual, que apresenta conceitos relacionados a patentes, marcas e programas de computador. A proposta é mostrar que a ciência não termina na descoberta: ela também envolve proteção do conhecimento, inovação e transformação de resultados em soluções para a sociedade.
Conexão com Stanford
A edição recebe três pesquisadores da Stanford University, nos Estados Unidos. Louise Lima, Vinicius Armelin e Sarah Sampaio vieram ao Brasil com apoio do Science Clubs International para ministrar palestras, orientar atividades e compartilhar experiências com os participantes.
Eles se unem a pesquisadores da UFMG, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e do CTVacinas. O contato direto permite que estudantes, muitos deles ainda no Ensino Médio, conversem com cientistas que atuam em diferentes instituições, países e áreas do conhecimento.
“Queremos ampliar as referências desses jovens e mostrar que a carreira científica também pode fazer parte do horizonte deles. O acesso a pesquisadores de diferentes trajetórias ajuda a tornar esse caminho mais concreto”, destaca Pedro.
Pela primeira vez, o CTVacinas será responsável por um dos grupos práticos. Coordenado por Nathalia Pereira, o clube de RNA aproxima os participantes de uma das tecnologias que mais transformaram a pesquisa biomédica nos últimos anos.
O CTVacinas também integra a estrutura de apoio que garante a gratuidade da experiência. Os participantes recebem café da manhã, almoço no Restaurante Universitário e lanche durante a tarde, reduzindo barreiras para a permanência de estudantes ao longo de toda a programação.
O encontro na UFMG ocorre uma vez por ano, geralmente em julho, mas a relação com os participantes continua depois da programação presencial. Os estudantes passam a integrar uma rede de troca de informações, colaboração e oportunidades construída pelo projeto.
“O encontro anual é o momento de imersão, mas o Clube não termina ali. Quem participa permanece conectado à rede, acompanha oportunidades e mantém contato com pessoas que podem contribuir para os próximos passos de sua trajetória”, explica Pedro.
O projeto de extensão em Minas Gerais começou a ser estruturado há cerca de dois anos e meio. Em âmbito nacional, o Clubes de Ciencia Brasil integra uma iniciativa criada em 2014 para ampliar o acesso à educação científica de qualidade por meio de oficinas gratuitas, mentorias e redes de colaboração.
Até a última edição, em 2025, a organização já alcançou 830 estudantes, 50 clubes e sete edições realizadas. Os números medem a expansão do projeto, mas parte de seu impacto começa em uma experiência individual: o momento em que um jovem deixa de enxergar a ciência como algo distante e passa a considerá-la uma possibilidade para o próprio futuro.
*Com informações da Agência de Notícias CTVacinas
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