vulnerabilidade social

Estudo da UFMG aponta mais 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil

Maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na região Sudeste

Do HOJE EM DIA*
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Publicado em 14/01/2026 às 16:08.
 (Maurício Vieira/Hoje em Dia)
(Maurício Vieira/Hoje em Dia)

O estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre a população em situação de rua aponta que são mais de 365 mil pessoas sem teto no Brasil. O levantamento foi feito com base nos dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve como indicativo de quem está vulnerabilidade nos municípios.

Os dados são de levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG). Conforme o Hoje em Dia mostrou, o número aumentou 30% em Belo Horizonte nos últimos cinco anos, passando 11 mil 15 mil em 2025. Em Minas, o crescimento foi ainda maior: 23 mil em 2020 e mais de 33 mil no fim do ano passado.

A maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na região Sudeste, somando 222 mil pessoas, o que representa 61% do total no país. Em seguida aparece a região Nordeste, com 54 mil.

Só no estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) - Minas é o terceiro no ranking.. O Amapá é o estado com o menor número, somando 292.

Para os pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, quatro situações podem explicar esse aumento:

  • o fortalecimento do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) como principal registro da população em situação de rua e de acesso às políticas públicas sociais do país; 
  • a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes voltadas para essa população, tais como moradia, trabalho e educação; 
  • a precarização das condições de vida principalmente após a pandemia; e 
  • as emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, disse que apesar das políticas públicas que fizeram a insegurança alimentar grave diminuir no país, ainda há muita gente passando fome.

“Acho que está crescendo o número de pessoas em situação de rua em todo o Brasil e em São Paulo por uma série de fatores. Mesmo com a questão da queda acentuada das pessoas em alta vulnerabilidade social, ou seja, de combate à fome, ainda existe muita fome no Brasil. Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque tem que pagar o aluguel ou porque tem que comprar remédio”, avalia.

Enfrentar o preconceito e garantir políticas

Na opinião de Mendonça, outro fator que tem contribuído para esse aumento é o avanço tecnológico, que tem trazido ainda mais dificuldades para quem busca um emprego. “As pessoas não passam por uma reciclagem para se aperfeiçoarem na questão do trabalho”.

Para ele, a solução para esse problema passa pela capacitação, pelo enfrentamento ao preconceito contra essas pessoas e também por políticas voltadas à moradia e ao emprego. 

A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informou que "tem trabalhado de forma integrada com os municípios para a redução da população de rua em todo o estado". Segundo a secretaria, a pasta já repassou R$ 633 milhões para as prefeituras paulistas desde o início desta gestão, sendo que R$ 145,6 milhões desse valor seriam exclusivos para ações voltadas à população em situação de rua. 

Além disso, informa a pasta, foram ampliados os serviços que são ofertados para essa população, tais como a criação de 24 novas unidades do Bom Prato, programa que oferece alimentação de qualidade a um custo acessível. Outro programa que foi ampliado foi o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial e que permite, segundo a secretaria, "a conquista da autonomia, com renda e moradia às pessoas em situação de rua afetadas pelo uso de substâncias psicoativas". 

Clique aqui e veja as ações desenvolvidas pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo Governo de Minas para atuar junto à população em situação de rua.  Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o levantamento.

* Com informações da Agência Brasil

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