O presidente americano, Donald Trump, afirmou na noite de domingo (14) que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para encerrar o conflito entre os dois países, iniciado em 28 de fevereiro. Em publicação na rede Social Truth, o mandatário confirmou a conclusão do tratado e autorizou a abertura sem restrições do estreito de Ormuz, além da remoção imediata do bloqueio naval norte-americano na região, que é uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
De acordo com Trump, a circulação total na via marítima ocorrerá após a assinatura oficial do documento, agendada para a próxima sexta-feira (19), na Suíça. O anúncio seguiu a declaração do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador e confirmou o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, também validou as informações em transmissão pela TV estatal.
Conforme agências internacionais, a notícia provocou forte reação positiva nos mercados financeiros da Ásia na manhã de segunda-feira (15). O índice Nikkei 225, do Japão, registrou alta de cerca de 5%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 4,8%. As economias da região sofriam com forte volatilidade devido à dependência do fornecimento de combustível do Oriente Médio.
Termos do acordo e incertezas nucleares
Embora os detalhes oficiais não tenham sido divulgados, as bases do entendimento focam na extensão do cessar-fogo por mais 60 dias sem hostilidades em troca da liberação do estreito de Ormuz. Análises apontam que o futuro do programa nuclear iraniano — motivo inicial da ofensiva de Trump — e o alívio definitivo das sanções econômicas a Teerã ainda dependem de negociações técnicas que ocorrerão durante este período de dois meses.
Outro ponto de atenção é que Israel e o Hezbollah não são signatários do documento. O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, criticou abertamente o anúncio, declarando que o país não está vinculado aos termos por entender que o pacto não garante a segurança israelense sem o desmantelamento do grupo libanês.
Por outro lado, a comunidade internacional recebeu o comunicado com otimismo. O Egito classificou o acordo como um passo significativo para a estabilidade global. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, saudaram a iniciativa e defenderam a rápida implementação do cessar-fogo e a restauração da liberdade de navegação na região. O tema será debatido nesta semana pelos líderes europeus durante a cúpula do G7, na França.