VIOLÊNCIA

Força-tarefa mira bando que induzia adolescentes ao suicídio pela internet em MG e outros 4 estados

Alvos da ação são cinco adolescentes e um adulto; menina de 13 anos tirou a própria vida no último dia 22

Do HOJE EM DIA*
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Publicado em 04/08/2026 às 17:34.
 (Jcomp/Freepik)
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Uma organização criminosa suspeita de induzir jovens a cometer suicídio pela internet foi alvo de uma força-tarefa nesta terça-feira (4). O bando atraía crianças e adolescentes para comunidades virtuais e submetia as vítimas a coerção psicológica, incentivando a prática de violência extrema contra animais (principalmente gatos) e desafios de automutilação. Um homem de 18 anos foi preso, e cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, detidos.

A Operação Lívia foi conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Além da atuação no estado do Centro-Oeste, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em Minas, Ceará, Pará e Rio de Janeiro, com a colaboração das polícias civis das localidades.

A apuração teve início após suicídio transmitido ao vivo de uma adolescente (Lívia) de 13 anos, no último dia 22 de julho. A live na internet ocorreu em um grupo virtual de uma rede social, por cerca de 45 minutos. Antes de ser induzida a tirar a própria vida na casa onde morava com a família em Naviraí, a 365 km de Campo Grande, a adolescente foi coagida no ambiente virtual pelos criminosos a torturar e matar um gato, sem êxito. 

Adolescente de 14 anos é suspeito de liderar bando

O suspeito de ser o chefe do grupo criminoso é um adolescente de 14 anos, que foi apreendido no Rio de Janeiro. Outro suspeito é um estudante seminarista de um mosteiro de Pernambuco.

As investigações identificaram que os integrantes do grupo suspeito abriram uma chave PIX em nome da vítima, sem o conhecimento da mãe, como relatado pelo delegado de Polícia Civil do Piauí e representante do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), Alessandro Barreto. “Os próprios criminosos criaram chave Pix para menina, mandavam dinheiro para comprar gillette, para se automutilar e tudo.”

Todo o material recolhido na operação deflagrada será analisado para identificar a possibilidade de outros envolvidos e para esclarecer as circunstâncias da atuação online da organização.

Violação do ECA Digital

O secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Victor Fernandes, apontou o descumprimento da legislação por parte das duas plataformas digitais no que diz respeito ao Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025); ao Marco Civil da Internet, atualizado pelo Decreto 2.975/2026; e o Decreto de Proteção de Mulheres no Ambiente Digital (nº 12.976/2026). 

Entre as infrações citadas por Victor Fernandes: a plataforma não interrompeu o sinal da transmissão ao vivo, não removeu o conteúdo do ar imediatamente e não notificou o ocorrido às autoridades competentes.

“Todas essas cenas de automutilação, de induzimento, e, no final, nesse caso mais chocante, de suicídio de uma jovem de 13 anos, aconteceram em grupos em transmissões ao vivo, feitas totalmente por crianças e adolescentes. Todos conseguiam acessar a plataforma sem fazer nenhum tipo de verificação de idade para acessar esses ambientes em que essas transmissões aconteciam.”

Mais vítimas

O delegado de Polícia Civil do Piauí, Alessandro Barreto, revelou que a atuação da polícia também identificou outra vítima do grupo em outra unidade da federação e conseguiu evitar que a mesma tirasse a própria vida, em outra transmissão previamente agendada.

"Estamos vendo os nomes de outras possíveis vítimas para mandar avisar aos pais e responsáveis para que fiquem atentos”, revelou.

* Informações da Agência Brasil

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