
Após o voto favorável do ministro Cristiano Zanin pela realização de eleições diretas no Rio de Janeiro, o ministro Luiz Fux deu voto contrário à proposta, que está em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão será retomada nesta quinta-feira (9). O cargo de governador do Rio está vago desde a condenação de Cláudio Castro, que se tornou inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Castro renunciou após a decisão.
A corte analisa se a escolha do novo governador deve ocorrer em um processo indireto - quando o nome é escolhido pelos deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) - ou direto, em que a escolha é feita pela população voltando às urnas.
"Seria inconcebível que, em um espaço de menos de seis meses, a população fluminense fosse convocada para duas eleições com enorme custo financeiro para Justiça Eleitoral, em torno de R$ 100 milhões, além da notória dificuldade operacional", argumentou Fux, que defende eleição por voto indireto, ou seja, escolha dos deputados.
Com o voto de Fux, o placar do julgamento está empatado em 1 a 1. O ministro Cristiano Zanin, relator do caso, foi proferido durante o julgamento do processo no qual o diretório estadual do PSD defende a realização de eleições populares.
"É evidente que a renúncia do ex-governador Cláudio Castro foi realizada em uma tentativa de burlar as consequências do julgamento que foi realizado no TSE", afirmou Zanin.
O julgamento prossegue nesta quinta-feira para tomada dos votos de mais nove ministros.
Entenda
No dia 23 de março, o ex-governador Cláudio Castro foi condenado à inelegibilidade pelo TSE. Em função da condenação, o tribunal determinou a realização de eleições indiretas para o mandato-tampão.
Contudo, o PSD recorreu ao Supremo e defendeu eleições diretas. No dia anterior ao julgamento, Castro renunciou ao mandato para cumprir o prazo de desincompatibilização para se candidatar ao Senado. Ele poderia deixar o cargo até 4 de abril.
A medida foi vista como uma manobra para forçar a realização de eleições indiretas, e não diretas. Com a medida, o ex-governador poderia ter influência na eleição de um aliado para o governo.
A eleição para o mandato-tampão deverá ser realizada porque a linha sucessória do estado está desfalcada.
O ex-vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do estado. Desde então, o estado não tem vice-governador.
O próximo na linha sucessória seria o presidente da Alerj, o deputado estadual Rodrigo Bacellar. No entanto, o parlamentar foi cassado na mesma decisão do TSE que condenou Castro e já deixou o cargo.
Antes da decisão, Bacellar também foi afastado da presidência da Casa por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado no caso que envolve o ex-deputado TH Joias.
Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, exerce interinamente o cargo de governador do estado.
Após a decisão do Supremo, as eleições para o mandato-tampão deverão ser convocadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou pela Alerj. Quem for eleito para comandar o estado ficará no cargo até o fim deste ano.
Em janeiro de 2027, o governador eleito nas eleições de outubro assumirá o cargo normalmente pelos próximos quatro anos.
(*) Com Agência Brasil
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