
O governo do Irã determinou o fechamento total do Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (10), após o território do país ser alvo de uma nova onda de ataques aéreos coordenados pelos Estados Unidos. A medida extrema foi anunciada pelo quartel-general central de Hazrat Khatam al-Anbiya, braço das Forças Armadas Iranianas, elevando a crise no Oriente Médio ao seu nível mais crítico.
"Em continuação às ações criminosas dos Estados Unidos e considerando o início dos ataques do exército invasor daquele país a algumas áreas do sul da província de Hormozgan, a partir deste momento, devido à insegurança na região, o Estreito de Ormuz está fechado para o tráfego de qualquer tipo de embarcação, incluindo petroleiros e comerciais", informou o comando militar iraniano em nota oficial.
Poucas horas após o anúncio, o clima de hostilidade escalou na região. De acordo com a mídia estatal do país persa, pelo menos duas embarcações comerciais tentaram furar o bloqueio marítimo e foram atacadas pelas forças de Teerã.
O impacto no mercado global de energia
O fechamento completo da retaguarda do Golfo Pérsico coloca o mercado internacional em alerta máximo. O Estreito de Ormuz é considerado a passagem marítima mais estratégica do planeta para o setor de energia, por onde trafega diariamente cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
Até então, o tráfego na região vinha sendo controlado de forma parcial pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PSGA) do Irã. Sob o modelo anterior, o livre trânsito era permitido apenas para navios sem ligações com os EUA, Israel ou seus aliados, mediante o pagamento de taxas de pedágio. Com a nova ordem, o veto passa a ser absoluto para qualquer pavilhão.
Escalada militar e quebra de cessar-fogo
A nova ofensiva norte-americana representa a segunda grande quebra do cessar-fogo que havia sido firmado entre as potências em abril. A operação foi deflagrada após declarações duras do presidente dos EUA, Donald Trump, e do secretário de Defesa, Pete Hegseth, que justificaram a ação como uma medida de pressão para forçar Teerã a ceder nas mesas de negociação diplomática.
O estopim para o conflito atual ocorreu na terça-feira (9), quando Washington ordenou os primeiros bombardeios a solo iraniano em retaliação à suposta derrubada de um helicóptero militar dos EUA no Estreito de Ormuz — acusação formalizada por Trump.
Como contra-ataque imediato, o Irã disparou uma onda de drones e mísseis balísticos contra bases e instalações militares norte-americanas localizadas em países vizinhos, incluindo Jordânia, Bahrein e Kuwait, transformando a região em um palco de guerra aberta.