
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (10) a operação Make Up, com o objetivo de investigar suspeitas de desvio de recursos públicos originados de emendas parlamentares. Entre os montantes sob escrutínio estão R$ 2 milhões destinados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) a entidades associadas à proprietária da produtora responsável por "Dark Horse", a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ordem judicial, expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), contempla o cumprimento de 49 mandados de busca e apreensão distribuídos por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
A investigação apura a atuação de um suposto esquema envolvendo agentes públicos e privados na gestão de recursos repassados mediante termos de fomento a uma organização da sociedade civil. Entre os alvos da apuração estão o parlamentar e duas organizações comandadas por Karina Ferreira da Gama, dirigente da produtora Go Up: o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura, sendo que o telefone celular do deputado foi recolhido durante as diligências.
Os levantamentos conduzidos pela corporação apontam indícios de que o grupo criminoso direcionava verbas recebidas para empresas subcontratadas de maneira irregular, sem a devida comprovação da execução dos serviços pactuados. Além disso, as análises financeiras identificaram movimentações expressivas de centenas de milhões de reais entre as empresas envolvidas na rede de subcontratações, com tentativas de ocultação de valores registradas até julho deste ano. A investigação conduzida pela Polícia Federal fundamenta-se na suspeita de prática de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraudes em licitações.
Caso começou com questionamentos sobre emendas
A investigação que chegou à operação desta quinta tem origem em questionamentos sobre emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresária responsável pela produtora de “Dark Horse”.
Em março, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que Mário Frias prestasse esclarecimentos após uma representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Ela apontou a destinação de ao menos R$ 2 milhões pelo parlamentar à Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina Ferreira da Gama. A empresária também está à frente do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment.
A representação foi motivada por uma reportagem publicada em dezembro de 2025 pelo site The Intercept Brasil. Segundo a publicação, a Academia Nacional de Cultura havia recebido R$ 2,6 milhões em emendas de deputados do PL. Além de Frias, eram citados Bia Kicis e Marcos Pollon.
Em abril, Dino abriu uma apuração preliminar para verificar a destinação das emendas. Posteriormente, em agosto, o ministro autorizou a PF a acessar dados de outra investigação, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo, sobre contratos da Go Up com a prefeitura da capital paulista.
Frias negou uso de dinheiro público no filme
Mário Frias, que também é produtor executivo de “Dark Horse”, já negou ao STF que os R$ 2 milhões destinados por ele tenham sido usados para financiar a cinebiografia de Bolsonaro. Em manifestação apresentada em maio, o deputado classificou a suspeita de desvio como “falsa, desprovida de qualquer lastro probatório e difamatória” e afirmou que as emendas foram destinadas a projetos de inclusão digital, empreendedorismo e esportes.
O parlamentar também sustentou que não havia prova de que o dinheiro tivesse sido direcionado a qualquer produção cinematográfica. Frias afirmou ainda que um parecer da Câmara dos Deputados não identificou irregularidades nas emendas questionadas.
Dark Horse também é alvo de outra frente de investigação
O financiamento de “Dark Horse” aparece ainda em outra frente de investigação envolvendo recursos privados. Nessa quarta-feira (9), o ministro André Mendonça, do STF, homologou a delação do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, em uma apuração sobre repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro à produção do filme.
O caso também envolve o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que pediu dinheiro a Vorcaro para financiar a produção sobre o pai. Em agosto, durante sabatina do Jornal Nacional, Flávio negou irregularidades e afirmou que buscou financiamento privado, e não recursos públicos, para a obra.
*Com informações do Hoje em Dia
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