
A cadela Pretinha, companheira do cão Orelha na Praia Brava, em Florianópolis, morreu na noite desta segunda-feira (9). O animal foi vítima de falência renal, quadro agravado pela dirofilariose, popularmente conhecida como verme do coração. A notícia foi confirmada pelo empresário Bruno Ducatti, que acompanhava o caso, por meio de uma carta aberta nas redes sociais.
De acordo com o relato de Ducatti, foram esgotados todos os recursos veterinários disponíveis, incluindo internações e exames complexos. A médica veterinária Fernanda Oliveira explicou que a cadela também desenvolveu anemia severa devido ao tratamento contra a insuficiência renal crônica. Pretinha já apresentava saúde debilitada desde janeiro e, após sucessivas internações, teve o óbito confirmado nesta semana.
O parceiro de Pretinha, o cão Orelha, morreu no dia 5 de janeiro após ser encontrado com graves lesões na cabeça e no olho. Laudos da Polícia Científica apontaram que o animal sofreu um golpe contundente, possivelmente um chute ou paulada. As investigações levaram à identificação de um adolescente que chegou a viajar para o exterior após o crime, sendo interceptado pela polícia no aeroporto ao retornar ao Brasil no final de janeiro.
Veja a carta aberta na íntegra
“Carta aberta ao público — Pretinha
Gostaria imensamente de poder trazer boas notícias sobre a Pretinha, cadela comunitária e fiel companheira do Orelha, da Praia Brava que vinha recebendo tratamento veterinário desde janeiro deste ano. Infelizmente, não é o caso.
É com profundo pesar e o coração despedaçado que comunico que, em 09 de fevereiro, às 20:30, em Florianópolis (SC), Pretinha faleceu em decorrência de falência renal, agravada por complicações causadas pela dirofilariose, apesar de todos os esforços médicos empregados para salvá-la.
Após os atos brutais que vitimaram o Orelha, Pretinha foi retirada das ruas e acolhida. Foi somente então que se revelou a gravidade real de seu estado de saúde — um quadro silencioso, avançado e cruel, como o de tantos animais invisíveis neste país.
Foram utilizados todos os recursos possíveis: internação intensiva, exames complexos, medicações de alto custo e acompanhamento contínuo. Ainda assim, a medicina encontrou seus limites. Não houve omissão, descaso ou abandono. Houve luta até o fim.
Pretinha e Orelha deixaram uma marca que ultrapassa a Praia Brava. Suas histórias expõem o que funciona quando há cuidado comunitário — e o que falha quando o poder público e a sociedade se omitem.
Não escondo minha profunda frustração e tristeza por não ter conseguido salvá-la. Estive em viagem internacional, mas investi toda a minha energia, recursos e envolvimento emocional nessa tentativa. Resta-me a certeza de que Pretinha não agonizou sozinha na rua.
Reafirmo, de forma clara, meu desejo de justiça no caso do Orelha e em todos os episódios de maus-tratos. A punição precisa ser severa e exemplar. A impunidade alimenta a crueldade.
É urgente enfrentar o abandono animal. Animais comunitários não são “sem dono” — são animais sem políticas públicas eficazes. Castração é saúde pública, prevenção e responsabilidade.
Por fim, deixo um apelo: amor sem responsabilidade também mata. Tratamento veterinário preventivo não é luxo. “O modo como uma nação trata seus animais é uma medida de sua civilização.” — David Strauss
Descanse em paz, minha Rainha.
Abraça o Orelha por todos nós.
Nos veremos algum dia.
Bruno Ducatti“