
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPERJ) solicitou à Justiça que o goleiro Bruno voltasse a cumprir a pena pela morte de Eliza Samúdio em regime fechado por ter descumprido as condições impostas quando estava no regime semiaberto - com prisão domiciliar - antes de conseguir a liberdade condicional, revogada recentemente sob o mesmo fundamento.
O pedido é da 2ª Promotoria junto à Vara de Execução Penal. Dentre as condições determinadas e descumpridas pelo goleiro durante o semiaberto estariam a falta de atualização do endereço por cerca de três anos, proibição de viagens, além de não deixar a residência no período das 22h às 6h e recolhimento integral aos domingos e feriados.
Segundo o órgão, Bruno teria sido visto no Maracanã, no dia 4 de fevereiro, a partir das 19h, para acompanhar um jogo, sem autorização. A comprovação do arqueiro no estádio teria sido registrada por ele no Instagram pessoal.
O goleiro também teria viajado para outros estados sem autorização judicial, como por exemplo, no dia 8 de fevereiro, com direito à presença em um estádio de futebol em Minas Gerais.
Bruno Fernandes é considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro há cerca de duas semanas. No dia 5 de março, um mandado de prisão foi expedido contra o atleta. A resolução determinava o retorno ao regime semiaberto, após a Vara de Execuções Penais entender que o ex-jogador do Flamengo descumpriu uma das condições da liberdade condicional. No dia 12, a foto de Bruno foi incluída em um cartaz de procurados divulgado pela PCERJ.
Segundo a decisão, ele se ausentou do estado do Rio de Janeiro sem autorização. Por isso, perdeu o benefício. Bruno viajou para o Acre em 15 de fevereiro, para defender a equipe Vasco, do Acre, em partida válida pela Copa do Brasil. O time foi eliminado nos pênaltis.
“No que concerne ao descumprimento das condições do Livramento Condicional, de fato, as condutas do apenado devem ser encaradas como descaso no cumprimento do benefício que lhe foi concedido”, explicou, no parecer, o juiz Rafael Estrela Nóbrega. Segundo ele, Bruno não poderia alegar desconhecimento das condições do benefício.
Entenda o caso
O goleiro Bruno Fernandes foi condenado em 2013, a 23 anos de prisão pelo homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver da ex-namorada Eliza Samudio, desaparecida em junho de 2010. A modelo, mãe do filho do goleiro, foi assassinada em Minas Gerais, mas seu corpo nunca foi encontrado.
O atleta obteve progressão para o regime semiaberto em 2019 e, desde janeiro de 2023, está em liberdade condicional.
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