
A crescente tendência de "humanização" dos pets pode acabar levando tutores a incluir cães e gatos na celebração da Páscoa em família. Mas é preciso muito cuidado com o que sere oferecido aos animais, por conta do risco de intoxicação com "ovos" e petiscos inapropriados.
Vale destacar que o chocolate tradicional, um dos símbolos da data, é altamente tóxico e pode ser fatal para os animais. A gravidade da intoxicação depende da quantidade ingerida e do tipo de chocolate, sendo os mais escuros e amargos os mais perigosos por conterem maior concentração da substância. Um único quadradinho de uma barra da guloseima comum já pode ser suficiente para intoxicar um cão de 10kg, com os primeiros sinais leves de toxicidade podendo aparecer com a ingestão de 20 mg de teobromina por quilo do animal.
Dados do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) indicam que mais de 30% das emergências veterinárias no país estão relacionadas à ingestão acidental de alimentos tóxicos por cães e gatos. O chocolate, em particular, representa um risco significativo devido à presença de teobromina na composição.
"A teobromina estimula o coração e o sistema nervoso. Como cães e gatos não a eliminam de forma rápida, ela se acumula no organismo, podendo causar intoxicação grave", explica a coordenadora de um curso de Medicina Veterinária em Maringá (PR), Patrícia Campos.
Sinais de intoxicação em pets: dos sutis aos graves
Nem sempre os indícios de que o pet ingeriu chocolate são óbvios e os tutores devem estar atentos a sintomas iniciais mais sutis e que podem ser facilmente ignorados, alerta a especialista. Inquietação, respiração ofegante, coração acelerado, aumento da sede e da frequência urinária ou um comportamento atípico são os alertas. Com a evolução do quadro, os indícios se tornam mais graves e incluem náuseas, vômitos, diarreia, ataxia (perda de coordenação), tremores, convulsões e, em casos extremos, coma e risco de óbito. Em caso de suspeita não deve-se induzir o vômito em casa. O indicado é procurar assistencial emergencial especializada o quanto antes.
“Além do chocolate, outros alimentos comuns nas celebrações de Páscoa são tóxicos para os pets e devem ser mantidos fora de alcance. Cebola e alho podem causar anemia, uvas e passas podem levar à falência renal, e alimentos gordurosos em excesso podem desencadear pancreatite. Adoçantes como o xilitol, presente em muitos doces, são extremamente perigosos e podem causar hipoglicemia severa”, complementa Patrícia Campos.
"Ovos" de Páscoa seguros e divertidos para os pets
Para não deixar os pets de fora da festa, ingredientes seguros podem ser utilizados no preparo de petiscos temáticos. Abóbora e batata-doce cozidas, além da alfarroba que tem aparência semelhante ao chocolate, mas não contém teobromina são boas opções como base. Frutas como banana e maçã (sem sementes) e pequenas quantidades de iogurte natural sem açúcar e sem adoçantes também podem ser utilizadas, sempre com moderação e respeitando a tolerância individual dos animais.
“A dica de ouro para um petisco atrativo é a textura: o ideal é uma consistência de "sorvete firme", que seja fácil de lamber. Para os animais, o cheiro e o sabor são mais importantes do que a aparência. Esses petiscos congelados, além de saborosos, promovem o "enriquecimento ambiental", uma forma de entretenimento que ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse do animal, especialmente durante feriados, quando a rotina da casa costuma mudar”, conclui a médica veterinária.