Produtora de 'Dark Horse', filme sobre Bolsonaro, é alvo de operação em SP
Suspeita é que verba de contrato de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo tenha financiado a produção cinematográfica

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta segunda-feira (1º), uma operação para investigar uma suspeita de fraude envolvendo a produtora do filme Dark Horse, obra que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os investigadores apuram se parte dos recursos de um contrato firmado pela Prefeitura de São Paulo para a instalação de internet em comunidades periféricas foi desviada para financiar a produção cinematográfica.
O foco da ação é o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade contratada pela Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) para implantar pontos de Wi-Fi em áreas vulneráveis da capital paulista. A análise do contrato revelou uma sequência de inconsistências, que incluem o questionamento sobre a capacidade técnica da entidade e indícios de pagamentos realizados sem a devida prestação dos serviços.
O ponto central da investigação aponta que verbas públicas destinadas à inclusão digital teriam sido direcionadas para a produtora Go Up Entertainment Ltda. A empresa é controlada por Karina Ferreira da Gama, que também atua como representante do Instituto Conhecer Brasil e está ligada à realização do filme.
A polícia apura se houve transferência indevida de valores e destaca outras irregularidades no processo:
- Falta de histórico técnico: O instituto venceu o chamamento público sem experiência comprovada em infraestrutura de internet, tendo atuação anterior concentrada em feiras literárias e eventos religiosos.
- Superfaturamento: Os valores do acordo previam o pagamento fixo de R$ 1.800 por ponto instalado. Como comparação, a empresa municipal Prodam cobraria cerca de R$ 306 mensais pela manutenção de cada ponto semelhante.
A execução do projeto de conectividade também apresenta divergências graves. O contrato estipulava a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet, mas os investigadores constataram que apenas 3,2 mil foram entregues. Apesar do descumprimento, aditivos contratuais foram celebrados em curto intervalo de tempo para prorrogar prazos e reajustar metas, o que pode ter servido para encobrir os atrasos.
Além disso, a Polícia Civil identificou indícios de antecipação de aproximadamente R$ 26 milhões por parte da administração municipal. Documentos analisados mostram que repasses financeiros foram realizados como se milhares de pontos estivessem em pleno funcionamento, quando apenas uma fração reduzida do sistema operava de fato no período.
A reportagem tenta contato com o ICB, Go Up Entertainment Ltda e Karina Ferreira da Gama para se posicionarem sobre o caso.