A Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme "Dark Horse", registrou despesas de R$ 10 mil com a locação de uma peruca para o ator Jim Caviezel e pelo menos R$ 700 mil em hospedagens de luxo no hotel Unique, em São Paulo, destinados ao intérprete do ex-presidente Jair Bolsonaro, ao seu agente e a seguranças. Os dados constam em documentos entregues à Polícia Federal pela defesa da empresa e por sua representante legal, Karina Ferreira da Gama, integrando um inquérito tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
O material financeiro detalha que a transferência para o aluguel da peruca ocorreu em dezembro de 2025, enquanto o montante gasto no hotel reúne notas fiscais e transferências sem discriminação detalhada que cobriram estadias, gorjetas e massagens. As despesas com o elenco e a equipe também englobam passagens aéreas internacionais, serviços de manicure para as atrizes Lynn Collins e Camille Guaty — intérprete de Michelle Bolsonaro —, além de locações de apliques, dreadlocks e acessórios de caracterização para a obra dirigida por Cyrus Nowrasteh.
A entrega dos comprovantes ocorreu em resposta a um ofício da Polícia Federal que exigia transparência sobre a origem dos recursos e os contratos firmados com profissionais estrangeiros. Contudo, o produtor Michael Davis, apontado como sócio majoritário da Go Up Entertainment nos Estados Unidos, recusou-se a autorizar o envio de documentos mantidos em solo americano, argumentando que a solicitação deveria tramitar por meio de cooperação jurídica internacional e ordem de tribunais estrangeiros.
A investigação sobre a produção cinematográfica, inspirada em um texto do deputado federal Mario Frias, passou a integrar o escopo do caso Banco Master após indícios de articulações financeiras envolvendo os parlamentares Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Enquanto a defesa da produtora sustenta que o longa custou US$ 13,4 milhões oriundos exclusivamente de fontes privadas, os investigados negam irregularidades e as apurações seguem para esclarecer a movimentação dos recursos.
*Com informações da Agência Brasil