
Fones com redução de ruído estão no mercado há mais de 15 anos. Eles utilizam um recurso de reprodução de frequência invertida do som ambiente e ludibria nosso ouvido. Mas muitos fones, principalmente os intra-auriculares (os pequeninos) prometem, mas não entregam e a redução praticamente se resume à obstrução das cavidades auriculares pela borracha do aparelho.
A Samsung lançou o Galaxy Buds Pro 4 junto com a linha S26. Na loja oficial, o modelo custa R$ 2.100. Um valor elevado para um dispositivo tão diminuto. Mas não diferente (ou até mais modesto) do que a Apple cobra pelos seus similares.
O primeiro modelo da marca que contava com a tecnologia foi o Buds Live (que parecia dois feijões). Era um aparelhinho extraordinário, com seu recurso de redução de ruído, mas que não era tão eficaz.
Agora, fomos testar o Buds Pro 4, que a marca promoveu uma grande e portentosa apresentação. Para isso, subimos a mais de 10 mil metros de altura, na rota entre Guarulhos e Pequim. A ideia era fazer um comparativo entre o isolamento do fone da Samsung e um similar de outra marca, com a ajuda de duas turbinas imensas de um Boeing 777.
Num primeiro momento, utilizamos o modelo do concorrente, de uma marca chinesa. O fone tem boa qualidade de áudio, apesar de comandos de toque imprecisos. O isolamento se deve pela borrachinha isolando os tímpanos. Mas mesmo assim, funciona de forma condizente. Dava para ouvir o ruído infernal das turbinas, que a gente acaba se acostumando.
Logo em seguida, foi a vez do Buds Pro 4. Esse fone se conecta com o telefone assim que se abre o estojo. Basta colocar os dois no ouvido e a bruxaria acontece. Tudo lá fora desaparece. O que se ouve são alguns sussurros, que são frequências que os microfones do aparelho não conseguem captar.
E quando se liga a música, o isolamento é completo. Para o teste, utilizei os mesmos álbuns e faixas, que usei no “concorrente” e também em testes anteriores. “Tom Sawyer”, “YYZ” e “La Villa Strangiato”, do Rush, assim como os clássicos “Time Out” (Dave Brubeck) e “Kind of Blue” (Miles Davis). Ah, e claro, The Clash.
Com o barulho do avião, o fone isolou tudo e me deu uma clareza de som impressionante. Usamos dois aplicativos de música, com seus distintos padrões de compactação. A clareza é impressionante, mesmo com tanto barulho externo.
É uma espécie de Caixa de Pandora às avessas. Ao colocar o fone no ouvido o isolamento é imediato. E para convencer que R$ 2 mil não são tão caros assim, não foi preciso um pio, mas a total ausência de barulho.