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'Tá certo isso aí?': alunos da USP criam chatbot para detectar fake news pelo WhatsApp

Ferramenta utiliza Inteligência para analisar textos, áudios, imagens e vídeos automaticamente

Do HOJE EM DIA*
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Publicado em 19/04/2026 às 12:18.Atualizado em 19/04/2026 às 12:37.

Atentos ao impacto que a desinformação pode exercer sobre os rumos do Brasil, especialmente com o horizonte das eleições de 2026, três alunos do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, desenvolveram um sistema de verificação de fatos que funciona no Whatsapp. O chatbot 'Tá certo isso aí? utiliza Inteligência Artificial (IA) multimodal, ou seja, capaz de analisar e combinar diferentes tipos de informação – como áudio, vídeo, texto ou imagem -, para verificar mensagens por meio de fontes confiáveis.

Além disso, a ferramenta criada por Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Diniz Costa e Pedro Henrique Ferreira Silva, alunos de Ciência da Computação, funciona como uma plataforma pública de análise. A solução foi vencedora do Programa AI4Good, um desafio da Brazil Conference – evento da comunidade brasileira de estudantes nos Estados Unidos.  

Com o resultado, eles irão apresentar o 'Tá certo isso aí?' na 12ª edição do Brazil Conference. O evento ocorre de 27 a 29 de março, reunindo estudantes e lideranças brasileiras nos campi da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em Cambridge, nos EUA.

Como a ideia nasceu?

O projeto foi desenvolvido a partir do hackathon 2025 do grupo de extensão Rede de Avanço em Inteligência Artificial (RAIA), da USP. Com o tema Soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade, os jovens tiveram apenas 10 horas para propor a ferramenta, saindo vitoriosos. 

Ao longo de seis semanas de aceleração, os estudantes receberam mentorias voltadas ao amadurecimento do projeto, que iam desde ajustes técnicos até decisões estratégicas sobre arquitetura e uso da ferramenta. Segundo eles, o principal salto em relação à versão inicial foi a implementação da plataforma de analytics, inexistente no protótipo apresentado no hackathon. 

Como funciona o chatbot 'Tá certo isso aí?'

Funciona inteiramente dentro do WhatsApp, sem necessidade de instalar aplicativos extras ou acessar sites externos. Há duas formas principais de uso:

No chat privado:  o usuário adiciona o número 35 8424-8271 aos contatos ou acessa o link disponível no site do projeto: https://bit.ly/4adKZnc. Em seguida, basta encaminhar ao bot qualquer conteúdo suspeito, seja ele texto, link, imagem, vídeo, áudio ou mesmo figurinha.

Em poucos instantes, o chatbot retorna a análise, indicando se as informações são verificáveis, quais afirmações são verdadeiras ou falsas e quais fontes foram utilizadas.

Em grupos de WhatsApp: pode ser adicionado a um grupo. Quando surgir uma mensagem duvidosa, qualquer participante pode responder à mensagem marcando o bot (@). A verificação é feita ali mesmo, e o resultado fica visível para todos os integrantes do grupo.

A proposta, segundo os criadores, é tornar a checagem tão simples quanto o ato de encaminhar uma mensagem. “Nós focamos muito  na experiência do usuário de forma para que, inclusive, pessoas com pouca familiaridade com tecnologia, pudessem usar”, explica  Pedro Henrique.

Custos e próximos passos

Manter o bot no ar tem custos, mas, segundo os estudantes, ainda em patamar baixo para um projeto em fase inicial: domínio, infraestrutura e consumo de APIs, com apoio de créditos e testes em nuvem. 

Segundo Luiz Felipe, o próximo passo é ampliar o alcance da ferramenta e estruturar parcerias que contribuam tanto para a divulgação quanto para o aprimoramento contínuo do sistema. 

“Acreditamos que a visibilidade proporcionada pela Brazil Conference pode abrir caminho não apenas para colaborações com órgãos governamentais e veículos de comunicação, já que o enfrentamento à desinformação é um interesse comum a essas esferas, mas também para impulsionar nossas trajetórias profissionais, por meio do desenvolvimento de projetos com impacto social”, afirma o estudante do ICMC.

* Com informações da Fontes Comunicação Científica, do Portal USP São Carlos

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