sem previsão orçamentária

TCE-MG mantém paralisação do ‘Programa Escolas Cívico-Militares’ em Minas

Relator também alegou ausência de lei que respalde a implementação do programa educacional

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 17/12/2025 às 20:39.Atualizado em 17/12/2025 às 20:45.
 (Divulgaçâo /Agência Minas)
(Divulgaçâo /Agência Minas)

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) manteve no Tribunal Pleno a paralisação da “Política Educacional Gestão Compartilhada: Escolas Cívico-Militares”, do governo estadual. Com a decisão, o governo Zema não pode, a partir de 2026, dar continuidade ao modelo nas nove escolas mineiras que já o adotavam, assim como deve interromper possíveis projetos que visam expandir a política educacional.

O relator do processo, conselheiro em exercício Adonias Monteiro, elencou, entre outros aspectos, os principais motivos para a paralisação do projeto: ausência de lei em sentido formal que respalde a implementação do Programa das Escolas Cívico-Militares e inexistência de previsão orçamentária compatível com a política.

“A alegação da existência de perigo da demora inverso, com a suspensão repentina do programa nas nove escolas já participantes, podendo gerar retrocesso social, insegurança jurídica e prejuízos concretos à comunidade escolar, não restou demonstrada a partir de inspeção realizada pela Unidade Técnica deste Tribunal, pois, de forma geral, os indicadores educacionais não apresentaram evolução significativa após a implementação do programa, não obstante a redução da evasão escolar e a avaliação positiva do modelo por diretores e alunos”, explicou o conselheiro relator, no voto.

O Tribunal ainda contestou a convocação de militares da reserva para atuarem como supervisores e monitores, por possuírem caráter excepcional e transitório, “sendo incompatível com a necessidade de execução contínua e por prazo indeterminado das atividades das escolas cívico-militares”. 

Além disso, o pagamento desses militares da reserva “que atuam nas escolas cívico-militares, política pública da área da educação, com recursos da segurança pública, configura desvio de finalidade”, concluiu.

Durante a sessão, o conselheiro Agostinho Patrus questionou a expansão do programa de escolas cívico militares. “Segundo o Governo, conforme explanação do procurador do Estado, os números indicam que o programa apresentou resultados positivos.

Diante disso, a pergunta é simples: se era tão bom, por que o Governo teve cinco anos para expandi-lo e não o fez? O Tribunal de Contas cumpre seu papel ao exigir coerência e responsabilidade. Educação não pode ser tratada como experimento permanente”.

O presidente Durval Ângelo reforçou que a análise do TCE se fundamentou em dois principais aspectos: o instrumento legal (resolução conjunta entre gestores públicos, e não uma lei estadual específica) e aspecto orçamentário (ausência dos recursos na Lei Orçamentária Anual de 2026).

“A manifestação unânime desta Casa mostra que o governo deve corrigir a rota daquilo que quer na educação. O quer for aprovado na ALMG, a gente vai cumprir, o que estiver no orçamento, não temos o que questionar”.

A decisão liminar de paralisação das escolas cívico-militares já está em vigor. O processo segue em análise no Tribunal de Contas, até o julgamento do mérito da Representação nº 1.192.308.

Procurado pelo Hoje em Dia para comentar a decisão do TCE-MG, o Governo de Minas informou, por meio da Advocacia Geral do Estado, que ainda não foi notificado e vai se manifestar nos autos. 

*Com informações do TCE-MG

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