Tim Curry, astro de ‘The Rocky Horror Picture Show’ e ‘It’, morre aos 80 anos
Ator britânico eternizou personagens como Dr. Frank-N-Furter e o palhaço Pennywise e construiu carreira de mais de cinco décadas no cinema, teatro, televisão e dublagem

O ator britânico Tim Curry, eternizado como o extravagante Dr. Frank-N-Furter de “The Rocky Horror Picture Show” e como o aterrorizante Pennywise da minissérie “It”, morreu aos 80 anos, na noite desta terça-feira (25), em Los Angeles, nos Estados Unidos. A morte foi noticiada pelo TMZ. A causa não havia sido divulgada até a publicação desta reportagem.
Um dos rostos mais reconhecíveis da cultura pop das últimas cinco décadas, Curry atravessou teatro, cinema e televisão em uma carreira marcada sobretudo por personagens excêntricos, vilões e performances que se tornaram cult. Nos últimos anos, o ator convivia com as consequências de um grave acidente vascular cerebral (AVC) sofrido em 2012, que o deixou parcialmente paralisado e passou a exigir o uso de cadeira de rodas.
Nascido Timothy James Curry em 19 de abril de 1946, em Cheshire, na Inglaterra, ele era filho de Patricia, secretária escolar, e James Curry, capelão metodista da Marinha Real britânica. O pai morreu de pneumonia quando Tim tinha 12 anos. Anos depois, o britânico decidiu seguir a carreira artística e chegou aos palcos profissionais no fim da década de 1960, integrando a montagem londrina do musical “Hair”.
O personagem que atravessou gerações
A grande virada veio em 1973. Curry criou nos palcos londrinos o papel do cientista Dr. Frank-N-Furter em “The Rocky Horror Show”, musical de Richard O’Brien que misturava rock, ficção científica, terror, humor e sexualidade de maneira provocadora para a época. Dois anos depois, repetiu o personagem na adaptação para o cinema, “The Rocky Horror Picture Show”.
O filme não foi um sucesso imediato nas bilheterias, mas ganhou uma segunda vida em sessões noturnas e se transformou em um dos maiores fenômenos cult do cinema. Décadas depois, Frank-N-Furter continuava sendo o papel mais associado ao ator.
Curry, porém, construiu uma trajetória maior do que o personagem. No cinema, interpretou o criminoso Rooster em “Annie” (1982), o mordomo Wadsworth na comédia de mistério “Clue” (1985) e Long John Silver em “Muppet Treasure Island” (1996). Também integrou produções como “A Caçada ao Outubro Vermelho” e “Esqueceram de Mim 2: Perdido em Nova York”.
Outro papel que marcou uma geração veio em 1990, quando deu vida ao palhaço Pennywise na minissérie televisiva “It”, primeira grande adaptação para as telas do romance de Stephen King. A interpretação ajudou a consolidar a imagem do personagem muito antes de uma nova versão da história chegar aos cinemas décadas depois.
Dos palcos à dublagem
O teatro permaneceu uma parte central da trajetória do britânico. Na Broadway, Curry interpretou Mozart em “Amadeus”, Alan Swann em “My Favorite Year” e o Rei Arthur em “Monty Python’s Spamalot”. Os três trabalhos renderam indicações ao Tony, uma das principais premiações do teatro norte-americano.
A voz inconfundível também abriu uma extensa carreira na animação e nos videogames. Curry venceu um Daytime Emmy em 1991 pela interpretação do Capitão Gancho na animação “Peter Pan and the Pirates”. Além da atuação, ele se aventurou pela música. Entre o fim dos anos 1970 e o início da década seguinte, lançou três álbuns solo: “Read My Lips”, “Fearless” e “Simplicity”.
AVC mudou rotina do ator
A vida de Curry mudou profundamente em 2012, quando sofreu um AVC grave. O episódio comprometeu sua mobilidade e o deixou parcialmente paralisado. Depois de um longo processo de recuperação, passou a aparecer publicamente em cadeira de rodas e concentrou parte dos trabalhos seguintes em atuações de voz.
Ainda assim, não abandonou completamente a carreira. Em 2016, participou da versão televisiva de “The Rocky Horror Picture Show”, desta vez como narrador, mais de quatro décadas depois de transformar Frank-N-Furter em um ícone.
Em 2025, Curry lançou a autobiografia “Vagabond”, na qual revisitou a infância, a carreira, a fama alcançada com “Rocky Horror” e a experiência de reconstruir a própria vida após o AVC. Em entrevista publicada naquele ano, falou abertamente sobre as limitações físicas e sobre uma trajetória artística iniciada mais de meio século antes.
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