
Um arranha-céu de 37 andares, que está em obras, entrou em risco de colapso nesta terça-feira (8) em Midtown Manhattan, uma das regiões mais movimentadas de Nova York, provocando a evacuação do edifício e de imóveis vizinhos, como o do consulado do Brasil, além do isolamento de diversos quarteirões.
Segundo autoridades da cidade, a estrutura permanece instável, apresenta movimentação contínua e ainda não há previsão para a normalização da área.
O prédio fica entre a Segunda e a Terceira Avenida, próximo ao Grand Central Terminal. O imóvel, antiga sede da farmacêutica Pfizer, passa por uma transformação de edifício comercial para residencial, com previsão de mais de 1.600 apartamentos quando a obra for concluída, em 2027. Segundo o The New York Times, trata-se do maior projeto de conversão de escritórios em moradias da história da cidade.
O chamado para os Bombeiros foi registrado pouco antes das 8h (horário local), após relatos de um problema estrutural no canteiro de obras. Equipes do Corpo de Bombeiros de Nova York (FDNY), do Departamento de Edificações e da Defesa Civil foram mobilizadas para o local. Durante a inspeção, foram identificadas falhas estruturais no 21º andar, onde duas colunas de sustentação cederam, além de rachaduras e pisos com afundamento. Cerca de 150 bombeiros e socorristas participaram da ocorrência.
Avaliação da estrutura é feita minuto a minuto, diz prefeito
Em coletiva de imprensa, o prefeito Zohran Mamdani afirmou que o edifício segue instável e que, mesmo após a chegada das equipes, foi observado um novo deslocamento em uma das colunas. Ele acrescentou que a cidade aguardava a chegada de materiais para reforçar a estrutura comprometida.
Mamdani pediu que a população evitasse a região e informou que foi criada uma “zona congelada” entre as ruas 40 e 45, no trecho entre a Primeira e a Terceira Avenida, para permitir o trabalho das equipes de emergência. Segundo ele, a avaliação da estrutura é feita minuto a minuto.
O chefe do Departamento de Bombeiros, John Esposito, afirmou que as vigas metálicas começaram a se deformar sob o peso da estrutura. “É uma situação muito séria”, disse. Segundo ele, todos os trabalhadores foram retirados do prédio.
Risco de desabamento fecha consulado do Brasil em Nova York
O impacto da ocorrência também levou ao fechamento temporário do Consulado-Geral do Brasil em Nova York. Em nota, a representação diplomática informou que o prédio foi evacuado por determinação das autoridades da cidade devido ao risco de desabamento do edifício localizado nas proximidades, na Rua 42. O consulado informou ainda que divulgará posteriormente informações sobre a reabertura e a retomada dos atendimentos.
Escola, hotéis e prédios foram evacuados
Como medida preventiva, autoridades determinaram a evacuação de diversos imóveis ao redor do edifício. Segundo o The New York Times, uma escola particular com cerca de 400 alunos precisou ser esvaziada, assim como diversos edifícios vizinhos. Pelo menos dois hotéis também foram evacuados: o Hampton Inn Manhattan Grand Central e o Westin New York Grand Central. A região concentra ainda lojas, edifícios residenciais e escritórios.
Inicialmente, houve relatos de que tijolos teriam caído da fachada, mas o comissário do Departamento de Edificações, Ahmed Tigani, informou que essa informação não se confirmou. Segundo ele, engenheiros e inspetores seguem monitorando a movimentação da estrutura para definir a estratégia de estabilização do prédio.
Causa ainda é investigada
A causa do problema estrutural ainda não foi determinada oficialmente. Ao New York Post, o representante sindical Cliff Johnsen, que trabalhava na instalação do sistema de combate a incêndio do edifício, confirmou que trabalhadores perceberam vigas metálicas se curvando nos 21º e 22º andares antes da evacuação.
“As vigas em I estão dobrando como cigarros lá dentro, o que é extremamente perigoso”, declarou. Ele também afirmou que acredita que a estrutura não recebeu reforço suficiente para suportar o peso dos novos pavimentos, mas essa hipótese não foi confirmada pelas autoridades.
O The New York Times informou ainda que o Departamento de Edificações abriu uma investigação e registrou uma ocorrência contra os responsáveis pela obra, alegando que escavações teriam sido realizadas em desacordo com os planos aprovados. Os detalhes da acusação ainda não foram divulgados.
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