Estrutura comprometida

'Achei que daria tempo de reforçar', diz dono de barracões que desabaram no bairro Nazaré, em BH

Proprietário afirma que percebeu problemas na estrutura durante a semana, mas não esperava a queda; imóvel abrigava famílias que pagavam aluguel

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 06/11/2026 às 12:06.Atualizado em 06/11/2026 às 13:31.
Proprietário dos barracões que desabaram na região Nordeste de BH afirma que percebeu problemas na estrutura, mas acreditava que conseguiria realizar reforços (Ana Luísa Ribeiro/Hoje em Dia)
Proprietário dos barracões que desabaram na região Nordeste de BH afirma que percebeu problemas na estrutura, mas acreditava que conseguiria realizar reforços (Ana Luísa Ribeiro/Hoje em Dia)

O proprietário do conjunto de barracões que desabou parcialmente na noite de quinta-feira (5), no bairro Nazaré, na região Nordeste de Belo Horizonte, afirmou que a situação da estrutura remanescente está sob controle. Segundo ele, os problemas na construção já haviam sido percebidos durante a semana, mas a intenção era realizar reforços antes que ocorresse um desabamento.

"Vinha dando problema durante a semana e eu estava observando. Eu sou pedreiro também. Achei que daria para hoje e amanhã dar os reforços, só que infelizmente não deu tempo", disse Azemir José da Silva, responsável pelo imóvel localizado na rua Benjamin Fraga.

Segundo o proprietário, o conjunto de barracões está no local desde 1993. A propriedade pertence a vários irmãos, mas ele é o responsável pela construção. Abalado com o ocorrido, Azemir afirmou que mantém uma relação próxima com as famílias que vivem nos imóveis.

"Estou muito abatido, porque eu tenho consideração por esse pessoal que mora com a gente aí. E eles até gostam de ficar por aqui, né? Senão, não estariam. Mas infelizmente aconteceu", afirmou.

Proprietário diz que estrutura restante está 'sob controle'

Questionado sobre relatos de vizinhos de que a construção já apresentava problemas e havia sofrido outros desabamentos, Azemir confirmou uma ocorrência anterior, em 2005.

Ele também admitiu reaproveitar materiais em construções e reformas, mas contestou a maneira como a prática foi relatada pelos vizinhos.

"Eu posso usar, eu aproveito certas coisas. Eu sou aproveitador. Mas não é assim como dizem, que senão eu não estaria por aqui há mais de 30 anos", declarou.

Sobre a possibilidade de novos desabamentos, o proprietário minimizou os riscos e afirmou que apenas a parte central da construção foi atingida.

"O que aconteceu foi só no meio. E o resto tá sob controle", disse.

A avaliação, no entanto, diverge da constatação da Defesa Civil, que identificou risco iminente de colapso da estrutura que permaneceu de pé. Há possibilidade de queda de materiais sobre as ruas Benjamin Fraga e Angelina de Matos.

Famílias pagavam aluguel nos barracões

Azemir confirmou que os imóveis eram alugados, mas afirmou que flexibilizava os pagamentos de acordo com as condições financeiras de cada família. Segundo ele, os inquilinos estavam com parcelas atrasadas.

"Eu aluguei, mas assim, né? Dou chance para eles, né? São pessoas de Bolsa Família, eles pagam o que podem. Inclusive estão todos em atraso", afirmou.

O proprietário também contou que ainda realizava obras na construção quando ocorreu o desabamento. Questionado sobre as medidas que pretende adotar após a vistoria da Defesa Civil, disse que buscará providenciar os reparos necessários.

Defesa Civil aponta risco de novo desabamento

O desabamento parcial ocorreu durante o temporal que atingiu Belo Horizonte na noite de quinta-feira (5). Inicialmente, 32 pessoas de 11 famílias precisaram deixar os imóveis. Nesta sexta-feira (6), a Defesa Civil determinou a retirada de outras duas famílias, elevando para 37 o número de pessoas afetadas, distribuídas em 13 famílias.

Segundo o agente de proteção e Defesa Civil Marcos Vinícius Victório, a avaliação realizada na manhã desta sexta identificou risco iminente de queda da estrutura remanescente.

O proprietário será novamente notificado para adotar medidas emergenciais de segurança, incluindo a contratação de um engenheiro habilitado para definir as intervenções necessárias.

A Defesa Civil também solicitou o isolamento de trechos das ruas Benjamin Fraga e Angelina de Matos, que deverão permanecer interditados enquanto houver risco de desabamento.

Não houve registro de feridos. As famílias retiradas inicialmente foram encaminhadas ao Abrigo Tia Branca, no bairro Bonfim, na região Noroeste da capital.

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