Acusado de feminicídio e ocultação de cadáver de universitária na Grande BH vai a júri popular
Justiça manteve a prisão preventiva e destacou a gravidade dos crimes e a tentativa de fuga após o assassinato

O homem acusado de feminicídio, estupro e ocultação de cadáver da estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (9) pela Vara Única da Comarca de Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que também manteve a prisão preventiva dele.
Na sentença de pronúncia, a juíza Alina Tereza de Mattos Azevedo entendeu haver indícios suficientes para que o réu responda perante o Tribunal do Júri pelos crimes de feminicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver, conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A magistrada também negou o pedido de liberdade e manteve a prisão preventiva. Na decisão, destacou que “a gravidade dos delitos, revelada pelo modus operandi brutal, além da reincidência específica do réu e sua nítida intenção de fuga (evasão para outra comarca logo após os fatos), evidenciam o periculum libertatis”. O processo tramita em segredo de Justiça.
Relembre o caso
Vanessa Lara desapareceu após sair de um processo seletivo de emprego realizado no Sine de Juatuba, em fevereiro deste ano. Imagens de câmeras de segurança registraram os últimos momentos da jovem caminhando pela cidade antes de ela desaparecer.
Dois dias depois, o corpo da estudante foi encontrado às margens da BR-262, em uma área de mata. A perícia apontou que ela foi morta por estrangulamento com um cabo de notebook e identificou indícios de violência sexual.
O acusado foi preso em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas, após fugir da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a Polícia Militar, ele foi localizado dentro de um trem de carga. Antes da prisão, familiares relataram que o suspeito chegou à casa da mãe com roupas sujas de sangue e ferimentos pelo corpo, alegando ter participado de uma briga. Durante as investigações, ele ainda teria telefonado para parentes e confessado o assassinato.
Em depoimento à Polícia Civil, o homem confessou ter matado Vanessa, mas negou o estupro. À época, a corporação informou que a versão apresentada seria confrontada com os laudos periciais.
Histórico criminal
Quando foi preso, o homem já possuía um extenso histórico criminal. Segundo a Polícia Civil, ele acumulava três condenações por estupro, duas por atentado violento ao pudor e respondia a outro processo por estupro em segredo de Justiça.
Somadas, as penas ultrapassavam 38 anos de prisão. O investigado havia cumprido cerca de 23 anos no sistema prisional e progredido para a prisão domiciliar em dezembro de 2025, poucos meses antes do crime.
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