PREVENÇÃO

Alerta que acordou BH nesta segunda pode se repetir durante período chuvoso; entenda

Após quase 50 mm em curto intervalo, órgão reforça caráter preventivo dos avisos; quatro regionais estão sob risco geológico forte até quarta-feira (7)

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 05/10/2026 às 12:54.Atualizado em 05/10/2026 às 13:40.
Defesa Civil reforçou nesta segunda-feira (5) que alertas podem ser enviados a qualquer horário diante da identificação de risco para moradores de Belo Horizonte (Reprodução/Redes Sociais)
Defesa Civil reforçou nesta segunda-feira (5) que alertas podem ser enviados a qualquer horário diante da identificação de risco para moradores de Belo Horizonte (Reprodução/Redes Sociais)

Os moradores de Belo Horizonte podem voltar a receber alertas extremos de chuva, inclusive durante a madrugada, como medida preventiva diante da possibilidade de eventos intensos em um curto espaço de tempo. A Defesa Civil explicou nesta segunda-feira (5) que os avisos têm o objetivo de permitir que pessoas em áreas de risco ou que precisam se deslocar consigam se proteger antes que uma ocorrência mais grave seja registrada.

A orientação ocorre após a capital enfrentar quase 50 mm de chuva em um curto período, segundo o subsecretário de Proteção e Defesa Civil de BH, Elcione Menezes Alves. Por volta das 4h40 desta segunda, um alerta extremo de chuva foi disparado para a cidade. Horas depois, o órgão emitiu aviso de risco geológico forte para as regionais Barreiro, Oeste, Centro-Sul e Noroeste, válido até quarta-feira (7).

Segundo Elcione, a emissão dos avisos faz parte do monitoramento realizado durante o período chuvoso e não depende do horário em que uma situação de risco se desenvolve. “As pessoas que estão em área de risco, as pessoas que vão se deslocar, têm o direito de saber da gravidade do que esperam após acordar. O desastre não traz a hora, pode acontecer novamente, independentemente do horário”, afirmou.

O subsecretário explicou que o disparo do alerta extremo utiliza uma ferramenta sob atribuição da União. Quando a Defesa Civil municipal identifica a necessidade do aviso, solicita o envio. Por isso, novos alertas poderão ser disparados ao longo dos próximos meses caso as condições meteorológicas representem risco à população.

“Pode ser que seja necessário novamente fazer envios, infelizmente mesmo em horário não muito bom de receber. Mas é importante ressaltar a finalidade e a importância do alerta para quem está em área de risco ou para quem se desloca e pode passar por área de risco”, disse.

Chuva intensa não deixou desabrigados

Apesar do volume registrado durante a madrugada, a Defesa Civil não recebeu ocorrências que exigissem o acolhimento de pessoas desabrigadas.

Segundo Elcione, foram registrados dois pontos de alagamento tratados pela prefeitura. Em um deles, no viaduto da avenida Cristiano Machado, pertences guardados por uma pessoa em situação de rua dentro de uma galeria teriam obstruído a rede de drenagem. A Zeladoria Urbana foi acionada e realizou a desobstrução.

O subsecretário também chamou atenção para a rapidez com que episódios de chuva intensa podem se desenvolver e perder força na capital. Segundo ele, em algumas situações, cerca de 30 ou 40 minutos podem ser suficientes para que as condições melhorem.

A recomendação é não atravessar ruas tomadas por enxurradas ou pontos sujeitos a alagamentos. Quem estiver na rua deve aguardar em local seguro sempre que possível. Elcione afirmou ainda que vias bloqueadas pela Defesa Civil por causa de alagamentos também são sinalizadas no Waze, permitindo que o aplicativo indique outros trajetos.

Em situações de vendaval ou granizo, a orientação é procurar abrigo em uma estrutura de alvenaria e evitar permanecer debaixo de árvores. Dentro de casa, portas e outras entradas devem ser fechadas e, em caso de ventos fortes, a recomendação é permanecer preferencialmente em cômodos centrais, longe de portas e janelas de vidro.

BH se prepara para chuva, vento e picos de calor

A postura preventiva também considera a dificuldade de antecipar qual será o comportamento predominante do clima em Belo Horizonte durante os próximos meses.
Elcione lembrou que setembro terminou com mais de 250 mm de chuva, diante de uma média climatológica esperada de cerca de 50 mm, e afirmou que volumes acima do habitual também podem ocorrer durante o período chuvoso.

Segundo ele, a prefeitura trabalha com a possibilidade de chuvas acima da média, ventos fortes e picos ou ondas de calor. O subsecretário relacionou o cenário às mudanças climáticas e à influência do El Niño.

Elcione explicou que, nos mapas oficiais citados durante a coletiva, Belo Horizonte aparece em uma área de transição, sem uma tendência claramente definida. Na avaliação apresentada por ele, isso significa que a capital pode receber influência tanto das condições previstas para regiões ao norte quanto daquelas projetadas para áreas ao sul.

“Neutralidade não é que não vai ter efeito. É porque não tem uma definição exata do que vai ser em Belo Horizonte. Então, estamos nos preparando para chuva acima da média, ventos e picos e ondas de calor”, explicou.

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