ALERTA ESTRUTURAL

Após desabamento de asilo em BH, engenheiros defendem inspeções em imóveis que abrigam idosos

Sociedade Mineira de Engenharia alerta para necessidade de manutenção preventiva, especialmente em instituições que abrigam idosos

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 05/03/2026 às 12:31.Atualizado em 05/03/2026 às 20:39.
Desabamento em lar de idosos em Belo Horizonte reacende debate sobre inspeções prediais e manutenção preventiva (Bernardo Haddad)
Desabamento em lar de idosos em Belo Horizonte reacende debate sobre inspeções prediais e manutenção preventiva (Bernardo Haddad)

O desabamento de um lar de idosos na madrugada desta quinta-feira (5), no bairro Jardim Vitória, na região nordeste de Belo Horizonte, trouxe novamente ao centro do debate a necessidade de inspeções prediais periódicas. O imóvel, que funcionava como casa de repouso, colapsou por volta de 1h30 e deixou, até o momento, oito mortos e quatro pessoas soterradas.

Embora as causas do acidente ainda dependam de investigação, a Sociedade Mineira de Engenharia (SME) alerta que o monitoramento técnico contínuo em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) é fundamental. Para a entidade, tragédias desse porte exigem uma resposta que vai além do salvamento, passando pela análise rigorosa da estrutura e pela responsabilização técnica, visando medidas de prevenção eficazes.

Vácuo legislativo

De acordo com o presidente da Comissão Técnica de Engenharia Diagnóstica da SME, Eustáquio Soares, o Brasil ainda carece de uma legislação federal que padronize a periodicidade das inspeções. Atualmente, o tema ganha fôlego com a tramitação do Projeto de Lei 6014/2013, aprovado em outubro de 2025 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

A proposta estabelece que a primeira inspeção profissional ocorra dez anos após a emissão do "habite-se", com novas vistorias a cada década, obrigatoriamente realizadas por engenheiros ou arquitetos habilitados. O objetivo é criar uma cultura de diagnóstico precoce de falhas estruturais antes que se tornem críticas.

Rigor técnico 

Para os especialistas da SME, edificações voltadas ao público idoso demandam um acompanhamento estrutural ainda mais rigoroso. A atenção deve ser voltada para elementos vitais como pilares, vigas, lajes e possíveis fissuras que indiquem sobrecarga ou recalques de fundação. Além da parte civil, as condições das instalações elétricas, hidráulicas e das rotas de fuga são pontos cruciais para a segurança.

“Edificações que abrigam públicos vulneráveis precisam de acompanhamento técnico sistemático. A cultura da manutenção preventiva é essencial para reduzir riscos e proteger vidas”, afirma Soares.

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