Após enfrentar quimioterapia pelo SUS em BH, artista cria projeto de apoio a mulheres com câncer
Iniciativa inspirada na experiência da idealizadora com o SUS será lançada neste sábado na Savassi com palestra gratuita

A experiência de seis meses de quimioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Belo Horizonte, levou a artista plástica Clarice Fonseca a criar um projeto voltado ao acolhimento de mulheres que enfrentam o câncer. Batizada de Aconchego, a iniciativa será lançada neste sábado (20), na região da Savassi, e prevê uma série de atividades ao longo de 2026, incluindo oficinas de arte, rodas de conversa, palestras e ações de capacitação.
O evento terá início às 10h, com a palestra "O medo no contexto da oncologia", na Livraria Ramalhete (Rua Pernambuco, 1.000, Savassi). A atividade será conduzida pela artista e pesquisadora Cláudia Gersen, mestre em Ciências da Saúde pela Fiocruz e integrante do Centro de Pesquisas René Rachou, em conjunto com Clarice. A entrada é gratuita.
Da quimioterapia à ressignificação por meio da arte
A proposta nasceu a partir das dificuldades vividas pela própria idealizadora durante o tratamento. Segundo ela, além dos impactos físicos da doença, muitas mulheres enfrentam o processo sem uma rede de apoio estruturada, realidade que se torna ainda mais difícil em situações de vulnerabilidade social.
Clarice conta que encontrou na arte uma forma de atravessar os momentos mais difíceis da quimioterapia. Quando os efeitos colaterais diminuíam, ela retornava ao ateliê para produzir trabalhos que ajudavam a manter uma rotina e a lidar emocionalmente com o tratamento.
Foi nesse período que passou a utilizar pigmentos naturais extraídos de elementos do Cerrado e também a reaproveitar materiais ligados à própria experiência oncológica, como embalagens de medicamentos, bulas e gazes utilizadas em curativos. Os itens deram origem a gravuras, colagens e outras produções artísticas. A partir dessa vivência, surgiu a ideia de compartilhar a experiência com outras pacientes.
Encontros mensais e geração de renda
Ao longo de 2026, o projeto Aconchego pretende realizar encontros mensais em diferentes espaços da capital. A programação inclui oficinas voltadas a mulheres que estão em tratamento ou que já concluíram essa etapa. Além do acolhimento emocional, as atividades também buscam oferecer oportunidades de aprendizado e geração de renda para quem deseja retornar ao mercado de trabalho ou iniciar uma nova atividade profissional.
Outro foco do projeto será discutir os desafios enfrentados após o término do tratamento. Segundo os organizadores, muitas mulheres encontram dificuldades para retomar a rotina anterior à doença, inclusive no ambiente profissional.
Além das oficinas, cada encontro contará com palestras conduzidas por profissionais das áreas da saúde, arte e meio ambiente. O projeto também prevê a realização de feiras de artesanato com produtos desenvolvidos pelas próprias participantes.
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