Após ser vandalizado, berço do Clube da Esquina recebe manifestação e terá mutirão de limpeza
Ato foi convocado por projeto que organiza ocupações musicais mensalmente no cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, na região Leste de BH

O cruzamento das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte, vai receber uma manifestação artística e musical nesta sexta-feira (23). A ação foi mobilizada após o monumento do Clube da Esquina, que fica no local, ser vandalizado. Também foi convocado um ato de limpeza do memorial para 10h deste sábado (24).
O ataque foi constatado nesta manhã. As placas do memorial que homenageia um dos principais símbolos da música mineira foram encontradas cobertas por tinta vermelha, que deixou marcas semelhantes a sangue. A autoria e as circunstâncias do ato ainda são desconhecidas.
O “Na Esquina do Clube”, projeto que mensalmente organiza ocupações artísticas no espaço, relaciona o vandalismo a motivações políticas “Hoje, a esquina mais famosa do mundo amanheceu com sinais do ódio da extrema direita”, diz a publicação.
Polícia Civil apura o caso; Guarda Municipal esteve no local
A Polícia Civil (PC) publicou uma nota nesta tarde afirmando que apura a autoria e circunstâncias da vandalização no memorial do Clube da Esquina. Segundo o comunicado, outras informações serão divulgadas após o avanço dos trabalhos investigativos.
Em nota, a Guarda Civil Municipal de BH informou que uma equipe esteve no local. Como não se trata de um bem público municipal, os responsáveis foram orientados a registrar a ocorrência junto aos órgãos competentes.
Vandalização gerou indignação entre familiares de artistas ligados ao Clube da esquina e moradores do Santa Tereza
Como mostrou o Hoje em Dia, o episódio provocou indignação entre familiares de artistas, moradores e pessoas ligadas à preservação do patrimônio cultural. O espaço é um ponto de referência para admiradores do coletivo que reuniu nomes como Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes.
Irmão do cantor Lô Borges, Yé Borges lamentou o ataque e relacionou o episódio ao que considera um crescimento da intolerância e da violência no país. “É triste, mas eu não estou impressionado com isso. Isso era esperado. O que a gente tem visto no país hoje é o acirramento da violência e do ódio”, afirmou.
Apesar da indignação, ele defendeu que a reação ao vandalismo não seja marcada pelo mesmo sentimento. “Nós temos que tomar muito cuidado para não deixar que o ódio, que às vezes é um sentimento que você, quando é atacado, a nossa tendência é revidar”, disse.
*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
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